Tiago Queiroz/Estadão
Tiago Queiroz/Estadão

Financiamento de imóveis no primeiro semestre teve queda de quase 50%

De acordo com a Abecip, apesar dos primeiros meses do ano serem mais fracos, há 'leves sinais' de que o patamar de financiamentos com recursos da poupança começou a se estabilizar

Aline Bronzati, O Estado de S.Paulo

26 Julho 2016 | 11h48

SÃO PAULO - Os financiamentos imobiliários com recursos da poupança (SBPE) totalizaram R$ 22,6 bilhões no primeiro semestre deste ano, montante 49,5% menor que o registrado um ano antes, de R$ 44,8 bilhões, segundo dados da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip). No período, conforme a entidade, foram financiados 100,5 mil imóveis, quantidade 49,7% inferior a de 12 meses, com 199,9 mil unidades.

De acordo com a Abecip, apesar dos primeiros meses do ano serem sazonalmente mais fracos, há "leves sinais" de que o patamar de financiamentos imobiliários com recursos da poupança começou a se estabilizar e já sugere "inflexão positiva".

Somente em junho, os financiamentos imobiliários totalizaram R$ 4,3 bilhões, montante 9,5% maior que o registrado em maio, de R$ 3,9 bilhões. Segundo a Abecip, foi o segundo melhor mês de 2016. Em relação ao mesmo período do ano passado, a cifra foi 27,3% menor. Em termos de unidades financiadas, foram 19,7 mil imóveis em junho, conforme a Associação, crescimento de 5,9% ante maio. Em um ano, foi registrada queda de 23%. 

Os financiamentos imobiliários com recursos da poupança (SBPE) devem totalizar R$ 50 bilhões neste ano, cifra 34% menor que a vista em 2015, de R$ 76 bilhões, conforme projeção divulgada hoje pela associação.

De acordo com o presidente da entidade, Gilberto Duarte de Abreu Filho, o setor foi impactado por uma combinação "muito ruim" da economia brasileira com aumento de desemprego e dos juros básicos (taxa Selic) que pesaram na confiança do consumidor. "O setor de construção civil é ainda mais impactado que outros porque envolve bens de alto valor agregado no longo prazo", destacou ele, em coletiva de imprensa, nesta manhã, lembrando que a menor confiança dos consumidores fez com que as construtoras lançassem menos empreendimentos neste ano, voltando-se mais para a venda dos estoques existentes.

Mais cedo, Fundação Getulio Vargas (FGV) divulgou o Índice de Confiança da Construção (ICST), que avançou 2,7 pontos em julho na comparação com junho, para 70,7 pontos, o maior nível desde agosto de 2015 (72,4 pontos). Com o resultado, a média móvel bimestral do índice cresceu 0,8 ponto na margem, o terceiro avanço seguido. Pela primeira vez desde novembro do ano passado houve alta tanto do indicador que mede a situação corrente quanto do índice de expectativas de curto prazo. Para a FGV, o resultado sinaliza uma melhora da percepção dos empresários, embora o nível de confiança ainda seja muito baixo em termos históricos.

Inadimplência. A inadimplência no crédito imobiliário teve aumento "pouco dramático" a despeito da crise política e econômica que o País enfrenta, de acordo com Gilberto Duarte de Abreu Filho. "As pessoas têm atrasado o pagamento, mas priorizam o crédito imobiliário", afirmou ele, em coletiva de imprensa, nesta manhã.

Ao final de junho, a inadimplência, considerando mais de três prestações em atraso, estava em 1,8%, acima do indicador visto um ano antes, de 1,7%, conforme a Abecip. Em março, o indicador, porém, estava maior, em 2,0%.

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