Na planta, o menor preço foi de R$ 148 mil

Três conjuntos com total de 494 unidades, na zona leste, têm imóveis de até R$ 186 mil e se enquadram em programa de habitação popular

ESPECIAL PARA O ESTADO

03 Outubro 2015 | 19h13

Construído pela Plano & Plano, o residencial Certto Itaim Paulista (condomínio Metais) foi o empreendimento mais barato lançado na capital paulista neste ano, de acordo com os dados da Empresa Brasileira de Estudo de Patrimônio (Embraesp). São apartamentos com dois dormitórios e área de 41 metros quadrados. Cada um custa R$ 148,5 mil, de acordo com o preço registrado no lançamento.

A seguir, vem o Jardins Itaquera, da Tenda Negócios Imobiliários. São 200 unidades de 39 m², também com dois dormitórios. O preço, segundo a Embraesp, é R$ 173 mil. Ambos ocupam terreno do mesmo tamanho: 11,6 mil m².

Com 74 apartamentos de dois dormitórios, com 44 m² e preço de R$ 186,4 mil por unidade, o Plus Vida e Lazer, da construtora Econ, completa o pódio dos imóveis com menor preço lançados no primeiro semestre. Os três na zona leste da capital.

‘Na veia’. O sócio diretor da Plano & Plano, Rodrigo Luna, diz que já foram vendidos 85% dos 220 apartamentos do Certto Itaim Paulista. O alvo, segundo ele, são famílias com renda a partir de R$ 3 mil. “Pega o Minha Casa Minha Vida na veia”, afirma, referindo-se ao programa de habitação popular.

Na sua opinião, é “resultado excepcional” de vendas. “Prova que o Minha Casa precisa virar um programa de Estado, e não de governo”, diz, apoiando seu “caráter social muito forte”.

Para Luna, lançar moradias que se enquadram no programa “tem grande chance de sucesso”. Hoje o limite é R$ 190 mil.

Faz três anos que não há atualização. “Estamos aguardando que vá para R$ 235 mil”, reivindica, dizendo que as faixas de renda também se defasaram. “São dois pontos que precisam mudar para o programa ter condições de ser operado pelos produtores imobiliários.”

Tíquete médio. O construtor afirma que os produtos do segmento econômico respondem por 60% a 70% do portfólio da Plano & Plano. Ele tem cinco novos projetos já aprovados. “Mas todos dependem do novo enquadramento das faixas do programa”, explica.

Atualmente, o tíquete médio da Plano & Plano está em torno de R$ 200 mil. A faixa com maior demanda, porém, é mais baixa, segundo Luna, entre R$ 140 mil e R$ 160 mil.

A meta da empresa é fechar o ano com seis lançamentos e valor global de vendas (VGV) de R$ 500 milhões. “Em 2014, o VGV foi de R$ 650 milhões”, diz Luna, comentando que pretende lançar quatro empreendimentos no último trimestre.

“O cenário está muito inseguro por causa do momento econômico”, pondera, esperando boa recepção para seu próximo projeto. “Se perceber que o mercado não responde bem, obviamente não vamos dar velocidade aos lançamentos.”

Na Habitcasa, que tem o Certto Itaim Paulista em sua carteira de comercialização, a faixa que concentra a maioria das vendas neste ano, varia de R$ 230 mil a R$ 240 mil.

“Trabalhamos com imóveis de R$ 140 mil até R$ 500 mil”, afirma sócio diretor da Habitcasa, Maurílio Scacchetti. “Cerca de 80% das vendas são até R$ 250 mil.” Produtos como o Certto Itaim, segundo ele, estão em falta. “O que for lançado nessa faixa de preço vende muito rápido”, diz, referindo-se ao patamar de R$ 150 mil.

Apesar de ultrapassar o teto do Minha Casa Minha Vida, apartamentos pouco acima de R$ 200 mil ainda têm boa liquidez porque existe alta demanda, conta Scacchetti. “Mas a grande dificuldade é a comprovação de renda desse cliente.”

Nessa faixa de preços, segundo ele, nenhuma construtora faz financiamento direto. “É cem por cento financiamento bancário.” Para Scacchetti, a restrição de crédito é o que mais atrapalha a velocidade de vendas. “Os bancos estão mais exigentes”, comenta.

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