Daniel Mansur/Divulgação/Direcional
Daniel Mansur/Divulgação/Direcional

Natureza e obra de arte integram condomínios

Em Minas, empreendimento recupera lagoa; em São Paulo, prédio tem 'escultura' gigante

Pedro Rubens Santos / Especial para O Estado, O Estado de S.Paulo

30 Agosto 2018 | 05h16

Terceira cidade mais rica de Minas Gerais e a segunda em geração de empregos, Contagem trocou o abandono do espaço onde um dia funcionou uma fábrica de laminados de ferro, a Limasa, por dois condomínios do projeto Oásis, com 896 apartamentos já entregues pela Direcional Engenharia. A construtora requalificou a lagoa existente no terreno, transformando sua orla em parque de 18 mil m² com playground, área de esportes e bosque de mata preservada.

Um processo de drenagem e desvio de esgoto reviveu a lagoa, valorizando o empreendimento, que tem 146 mil m², dos quais 34 mil m² contemplam a área construída. Apostando em melhorias nos elementos naturais do local e num museu em homenagem aos trabalhadores mineiros, o projeto faturou o prêmio de residencial com ênfase socioambiental. Além de torneiras com fechamento automático, iluminação com sensores de presença, abastecimento de gás natural e reaproveitamento da água da chuva, a Direcional alargou o Córrego Ferrugem, ex-responsável por enchentes, que agora tem maior capacidade de vazão.

"Uma obra desse porte exigia um cuidado especial com a população", afirma Paulo Assis, diretor comercial e de incorporação da Direcional, que investiu R$ 25 milhões em melhorias. "Realizamos uma das maiores obras de contrapartidas socioambientais já vistas no Brasil, um marco para a empresa."

A comissão julgadora do Master Imobiliário elogiou o "empreendimento com números superlativos que destacam a capacidade de seus empreendedores". Entretanto, não foram só as melhorias que premiaram o Oásis. "A magnitude da obra e o sucesso de vendas fazem do projeto um dos cases de destaque do setor", diz o voto do júri, justificando a entrega do troféu.

O valor geral de vendas (VGV) de R$ 650 milhões engloba os dois condomínios: Origem, com 600 unidades, e Sublime, com 296. Cerca de 90% das 896 unidades já foram comercializadas. No Origem, concluído em dezembro útlimo, são dois ou três dormitórios, 60 e 70 m², com preços a partir de R$ 300 mil. O Sublime, cujas obras ficaram prontas em fevereiro, tem opções de três e quatro quartos, com 90 a 110 m².

Parceria. Também premiado como residencial, o Habitarte é um empreendimento de alto padão construído no Brooklin, zona sul de São Paulo, em parceria das incorporadoras Stan e Yuny. Na sua fachada, está em exposição permanente uma escultura de 50 metros, suspensa por cabos de aço e desenhada por Fernando e Humberto Campana, os irmãos Campana. ‘Pétalas’ é o nome da obra, confeccionada com alumínio verde, que flutua no vão livre de duas torres.

"Em escala urbana, a obra dos irmãos Campana, no campo visual de moradores e pedestres, é algo que se perpetua para São Paulo", exulta Andre Neuding Filho, sócio-diretor da Stan, que vê conexão entre design e funcionalidade na construção de moradias. Para ele, o mais importante foi combinar arquitetura com arte e urbanismo. "Por ter uma quadra de 20 mil m², conseguimos fazer a implantação das três fases do projeto", diz, citando como exemplo os mais de 600 metros lineares de calçadas largas no quarteirão.

Para o sócio responsável de operações da Yuny, Marcelo Yunes, a arte não é um adereço. "Faz parte da personalidade do empreendimento", diz ele, destacando "os conceitos aplicados por grandes nomes que assinam os projetos arquitetônico, de paisagismo e decoração" – respectivamente, Aflalo & Gasperini Arquitetos, Luiz Carlos Orsini e João Armentano.

O Habitarte Verde, com 391 unidades de 41 a 81 m², teve valor geral de vendas de R$ 295 milhões. Com VGV mais alto – R$ 439 milhões –, o Habitarte 2 tem 332 unidades, de 83 a 131 m². Yunes calcula o preço médio em R$ 12 mil a R$ 13 mil por m². Com apartamentos maiores, o Gran Habitarte, 3ª fase do projeto, será lançado em outubro.

Museu retrata a evolução e conecta o futuro

Ao lado dos condomínios residenciais do projeto Oásis, a Direcional Engenharia construiu o Centro da Memória do Trabalhador da Indústria de Contagem. Foi realizado um estudo para remontar a antiga siderúrgica, que "conta a história da evolução industrial de Contagem", afirma Paulo Assis, diretor comercial da construtora.

Empresas especializadas em recuperação de patrimônio histórico participaram da catalogação dos equipamentos. "Um trabalho artesanal recuperou estruturas de concreto armado e metálicas, chaminés cerâmicas, pontes rolantes e fornos utilizados na laminação de aço." Segundo Assis, foi um projeto artístico, que contemplou detalhes como reprodução dos cobogós, que enfeitavam a fábrica.

O Centro da Memória do Trabalhador, além de prestar homenagem aos profissionais que se dedicaram ao crescimento econômico de Minas Gerais, valoriza o passado da cidade com a preservação da cultura local, argumenta Assis.

O museu também faz uma conexão com o futuro. Por meio da Hyperloop Transportation Technologies (HTT), empresa de pesquisa dos Estados Unidos, será implantado, no local, um centro global de inovação em logística, o primeiro do Brasil. A HTT investe na ideia do bilionário Elon Musk, fundador da SpaceX e CEO da Tesla Motors, de transporte ultrarrápido. O projeto prevê a criação de uma cápsula que viaja dentro de um túnel a vácuo e ambiciona atingir velocidades maiores que as de um avião comercial.

/ COLABOROU HERALDO VAZ

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Bairro colaborativo ganha troféu de soluções urbanísticas

Destinado ao público de baixa e média renda, loteamento em Piracicaba aplica conceitos de interação comunitária

Pedro Rubens Santos / Especial para O Estado, O Estado de S.Paulo

30 Agosto 2018 | 05h16

Uma área verde de quase 50 mil metros quadrados em meio a bolsões residenciais compõe um loteamento aberto que levou para Piracicaba o prêmio de soluções urbanísticas do Master Imobiliário 2018. O bairro colaborativo da Lote 5, ComViva, inaugura um conceito inovador para o público de baixa e média renda com base na interação comunitária.

Para a comissão julgadora do Master, o investimento em uma alternativa criativa voltada a um público com poder aquisitivo restrito foi primordial, assim como a qualidade urbanística do loteamento.

“Observamos que muito já havia sido feito para as classes média, média alta e alta, mas pouco foi pensado sobre algo diferenciado para os loteamentos de padrão econômico”, afirma Arthur Braga, sócio da Lote 5.

Três bolsões de casas, com entradas exclusivas, compõem o empreendimento. Separados por uma área verde preservada de 49.906 m², estão conectados por uma grande avenida, mantendo a privacidade, mas, ao mesmo tempo, interagindo com o comércio que será instalado nessa via.

O prêmio valoriza a proposta de convivência e aproveitamento dos espaços públicos.

São 198.109 m² totais, o que dá ao loteamento quase 150 mil m² de área útil entre moradias, espaços de convívio e lazer. O público já adquiriu 95% dos 383 lotes, sendo que 80% foram comprados nos dois primeiros meses após o lançamento.

Os valores, entre R$ 60 mil e R$ 86 mil, incentivam o investimento nos terrenos cuja medida mínima é 175 m². Segundo a construtora, o comprador dos lotes tem, em média, renda de pelo menos R$ 4 mil e na faixa dos 30 a 50 anos. “É bem variado o mix de compradores”, afirma Braga.

Interação. Há também oficinas para os moradores. “Vamos ensinar conceitos de comunidade e liderança, como construir um teto verde, cisternas e reúso de água”, conta Arthur Braga.

“Essas oficinas têm, além do propósito de transferir informação, reconhecer, entre os moradores, as habilidades de liderança”, conta Fernando Albuquerque, também é sócio da Lote 5.

Segundo ele, os moradores aderem a uma associação cujos cargos ainda não estão preenchidos. “Os próprios moradores vão reconhecer as pessoas com as devidas capacidades”.

De acordo com os sócios, o ComViva se destaca por oferecer soluções criativas e conforto ambiental sem custo extra. “Isso tudo não empurrou o preço para cima. Criamos um produto competitivo com os preços locais, rentável e sustentável”, diz Albuquerque.

Receptividade. Para o empresário, “se um desses três pontos não funcionasse, esse produto não poderia se repetir”. Albuquerque se refere às próximas etapas do conceito ComViva. Em 2019, será lançada a segunda etapa do empreendimento em Piracicaba, com 400 lotes. A empresa promete que Campinas e Bauru também receberão o bairro colaborativo. /P.R.S.

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