Preço médio dos lançamentos cai 30% no 1º semestre

Valor apurado pela Embraesp nos seis primeiros meses deste ano foi de R$ 404 mil ante R$ 579 mil no mesmo período de 2014

Heraldo Vaz, ESPECIAL PARA O ESTADO

06 de outubro de 2015 | 06h08

O metro quadrado dos apartamentos de um, dois e três dormitórios baixou, apresentando, em média, redução de 15%. Os dados são da Empresa Brasileira de Estudos de Patrimônio (Embraesp), com base nos lançamentos na cidade de São Paulo durante o primeiro semestre. O tíquete médio também caiu 30%, passando de R$ 579 mil em 2014 para R$ 404 neste ano O economista-chefe do Secovi-SP, Celso Petrucci, vê dois motivos para explicar essa redução. A grande maioria dos lançamentos é de imóveis com um e dois dormitórios, que "têm preço final de venda mais baixo", diz. A outra razão está ligada ao fato de a zona leste ser a campeã de lançamentos neste ano. A região, segundo Petrucci, oferece produtos mais baratos - "que variam de R$ 4 mil a R$ 7 mil o metro" -, enquanto a média geral na cidade tem o m² em torno de R$ 9 mil. "Prevalece em 2015 o lançamento de produtos um pouco mais afastados do centro, onde se consegue fazer um metro quadrado mais acessível para as pessoas que têm mais necessidade de aquisição", afirma. De acordo com dados publicados no último balanço do Secovi, foram lançadas 10.478 unidades de janeiro a julho. A maioria (56%) tem dois dormitórios, seguida por apartamentos de até um dormitório (24%). Somadas, as duas tipologias respondem por 80% do total disponível na planta em São Paulo. No caso das habitações com quatro ou mais dormitórios, a fatia de mercado é de apenas 2,5%, ou seja, 259 imóveis este ano. Aliás, esta tipologia é a única que registra leve alta, segundo os registros da Embraesp. O m² subiu, em média, de R$ 9.425 para R$ 9.637. Na média geral, o preço do m² teve redução de 15%, baixando de R$ 8,67 mil no primeiro semestre de 2014 para R$ 7,4 mil neste ano, afirma o diretor da Embraesp, Fernando Pompéia. Social. O diretor de atendimento da Lopes, João Henrique, vê uma "readequação" de mercado. "Todo mundo está calibrando seu preço", diz. "Com isso, se tem redução do tíquete médio e do metro quadrado." Ele também percebe "número considerável" de HIS e HMP, referindo-se respectivamente às habitações de interesse social e de mercado popular. O In Parque Belém, com três prédios lançados na categoria de interesse social, tem um tíquete de R$ 200 mil. "É um preço inferior à média normal", afirma. Segundo Henrique, a grande quantidade de unidades nesse empreendimento "traz para baixo" o valor médio. A curva de preços na capital tem como pontos extremos o quatro dormitórios do Helen Altos do Tatuapé, da Porte Engenharia, com 374 m², que custa R$ 4,8 milhões, e a unidade do Certto Itaim Paulista, da Plano & Plano, com 41 m² de área útil, por R$ 148,5 mil. A diferença de preço entre os dois apartamentos, localizados na zona leste paulistana, é superior a 3.000%. O m² do mais caro sai por R$ 12.873, enquanto o do mais barato é R$ 3,6 mil. Em termos de tamanho, um é nove vezes maior que o outro. Nos sete primeiros meses do ano, foram vendidos 10.700 imóveis novos em São Paulo. Novamente, a liderança absoluta é da tipologia dois dormitórios, com 56% do total - cerca de 6 mil unidades. Revisão. Com o lançamento de 825 apartamentos em julho - totalizando 10.478 unidades nos sete primeiros meses do ano -, a previsão divulgada em abril pelo Secovi pode ser refeita. A meta era ter entre 25,5 mil e 26,2 mil unidades em 2015. Para isso, seria preciso lançar 15 mil unidades em cinco meses - em média, 3 mil/mês. "Está difícil", diz o presidente do Secovi, Claudio Bernardes. Já a previsão de vendas, segundo o Secovi, de 17,3 mil a 18,4 mil unidades, deve ser mantida.

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