Tiago Queiroz/Estadão
Tiago Queiroz/Estadão

Presidente do Secovi-SP acredita em melhora no mercado

O setor se prepara para um novo ciclo, mas aponta gargalos como distratos e a falta de 'calibragem' no Plano Diretor

Heraldo Vaz, especial para o Estado, O Estado de S.Paulo

31 Agosto 2017 | 07h08

A cidade de São Paulo registrou crescimento de 10% em lançamentos e vendas no primeiro semestre, diz o presidente do Secovi-SP, Flavio Amary. Foram vendidos 7.888 apartamentos – contra 7.194 nos seis meses de 2016. Os lançamentos somaram 6.547 unidades – contra 5.933. No fim de junho, o estoque era de 21 mil imóveis novos para venda – somando apartamentos na planta, em construção e prontos –, uma redução de 14,5% em relação ao mesmo mês do ano passado (24,6 mil unidades). Reunindo empresários e profissionais do setor do Brasil e exterior, a Convenção Secovi 2017, que terminou na terça-feira, teve como mote “Virando a página”. Segundo a entidade, “o pior já passou”. O mercado se prepara para um novo ciclo de crescimento. Mas há gargalos, como os distratos e a falta de “calibragem” nos parâmetros urbanísticos do Plano Diretor da capital paulista. 

Fechado o primeiro semestre, qual a comparação com 2016?

O mercado imobiliário registrou leve crescimento, assim como a economia do Brasil. Em São Paulo, ocorreu aumento de 10% tanto no volume de vendas como em lançamentos. Esperamos que feche 2017 com esse índice de crescimento em relação a 2016.

Qual a projeção para 2018?

A expectativa, não só da indústria imobiliária, mas da economia como um todo, é positiva. As projeções econômicas indicam melhor cenário, com reflexos positivos para 2018. Vejo tendência de melhora do setor. 

 

O tema da Convenção 2017 do Secovi foi “virando a página, temos muito para construir”. Quais os pontos discutidos?

Mostrar para o mercado que o momento é de visão de futuro e se preparar para essa retomada. O Brasil tem déficit habitacional muito grande.

 

Quais são as reivindicações?

Há pontos como licenciamento ambiental e financiamento de lote urbanizado. Em nível municipal, discutimos a planta genérica de valor e o zoneamento. O Plano Diretor precisa de calibragem para se adequar à nova realidade.

Nessa calibragem, o que o Secovi pretende mudar?

Temos buscado que os empreendimentos de São Paulo sejam para que as pessoas possam ter acesso a moradia na cidade. E não faça com que o imóvel tenha uma produção menor do que a demanda existente.

Existem pontos específicos em discussão com a Prefeitura para mudar no Plano Diretor ou na Lei de Zoneamento?

É uma calibragem que possibilite a viabilidade econômica para atender à população que quer e precisa morar na cidade. Não dá para eleger um ponto principal. Objetivo é que essa calibragem traga viabilidade à produção imobiliária para atender a demanda de São Paulo.

E a questão dos distratos? 

É o ponto mais importante hoje do setor. Isso só acontece no Brasil, onde tem essa movimentação, com jurisprudência, para desrespeitar os contratos assinados, dizendo, depois, que não querem mais comprar. Obriga as empresas a devolver quase na totalidade os valores recebidos, prejudicando não só os empreendimentos, mas também a segurança jurídica do País e os consumidores adimplentes.

 

Há expectativa de que isso seja resolvido em breve?

Existe um texto, que pode sair por medida provisória ou projeto de lei, fruto de muita conversa do Secovi com ministérios da Fazenda, Casa Civil e Justiça, na elaboração de uma legislação.

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