Unsplash/@valeriydmi
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49% dos trabalhadores pretendem buscar novo emprego em 2022

Perspectiva de salário maior motiva profissionais, aliada ao desejo de aprender algo novo, ter realização pessoal e qualidade de vida; é preciso investir em qualificação, diz especialista

Ludimila Honorato, O Estado de S.Paulo

09 de janeiro de 2022 | 05h03

O futuro do trabalho é agora, se mostra flexível e a favor do bem-estar integral, o que tem feito as pessoas visarem oportunidades de trabalho que se alinham a esse perfil. Pesquisa da empresa de recrutamento Robert Half mostra que 49% dos profissionais com mais de 25 anos de idade pretendem buscar um novo emprego em 2022. Destes, 61% querem trocar de companhia, mas ficar na mesma área; 39% desejam uma mudança de carreira, em novo segmento ou profissão.

Esses dados fazem parte da 18ª edição do Índice de Confiança Robert Half, que entrevistou em novembro 1.161 profissionais, igualmente divididos entre recrutadores, empregados e desempregados. Segundo o levantamento, a confiança atual na economia e no mercado de trabalho dos profissionais qualificados registrou queda em relação ao trimestre anterior e ficou em 37,1 pontos. A perspectiva futura, para daqui a seis meses, também sofreu declínio e com 46,9 pontos está em patamar pessimista.

Quando perguntados sobre a motivação para ter novas oportunidades, remuneração maior foi indicado por 37% dos que querem mudar de empresa e por 31% dos que planejam trocar de área. Outras razões incluem o desejo de inovar ou aprender algo novo (19%), a busca por realização pessoal (17%) e a expectativa de uma melhor qualidade de vida (12%).

Embora o salário seja um grande motivador, diversas mudanças ocorreram no mercado em virtude da pandemia, relações de trabalho foram alteradas e habilidades comportamentais foram inseridas ou reforçadas. Assim, os profissionais devem se preparar melhor para as tendências e exigências que 2022 trará.

“O principal conselho é: invista em qualificação. É extremamente importante se manter atento às demandas específicas do segmento em que o profissional atua e buscar sempre atualização em relação às tendências, conhecimentos e certificações exigidas”, disse ao Estadão Fernando Mantovani, diretor-geral da Robert Half para a América do Sul.

Competências mais demandadas

Além da demanda de um segundo idioma, especialmente o inglês, para qualquer segmento ou nível, o especialista destaca o conjunto de competências comportamentais, as soft skills, que ganharam ainda mais destaque nos últimos dois anos. “Comunicação, adaptabilidade, flexibilidade, perfil analítico, senso de dono (visão do negócio), comprometimento e humildade são aspectos comportamentais bastante exigidos pelas empresas.” Outros aspectos envolvem perfil para liderança e habilidade para trabalhar em equipe.

Mantovani considera prematuro afirmar que esse desejo de mudança dos profissionais esteja pautado num esforço insuficiente das empresas para reter os funcionários. Segundo ele, “as pessoas ainda não sabem exatamente o que esperar do futuro” e, paralelamente a isso, diz perceber um “movimento de contratações que, em função da crise, ficaram reprimidas durante um tempo e que hoje pode levar a reações mais contundentes”.

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“De modo geral, a principal orientação é que as empresas ouçam seus colaboradores para buscar pontos de evolução. Com eles, em sinergia com a estratégia e os recursos que a empresa possui, pode-se traçar um plano de ação efetivo para cada organização”, diz. Nesse sentido, se há um desejo de transição interna, a companhia pode apoiar o colaborador.

“A empresa pode avaliar a performance do profissional e os resultados proporcionados até então. Se a empresa contar com recursos, ela deve trabalhar no desenvolvimento de seu time de colaboradores, até por uma estratégia de retenção de talentos”, orienta o especialista. O apoio à transição se dá, então, pela promoção de treinamentos para que os funcionários possam exercer uma nova função. Porém, uma ressalva: “é fundamental que o profissional não dependa disso e seja dono da própria carreira, buscando seu desenvolvimento pessoal de acordo com seu planejamento e ambições”.

Demissão por vontade própria

A pesquisa da Robert Half também olhou para os dados de admissões e desligamentos do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) e identificou que 51% das demissões ocorridas no terceiro trimestre foram a pedido do colaborador. Esse dado foi aumentando ao longo do ano e pode ser entendido em dois cenários, de acordo com o levantamento.

“Cria-se a hipótese tanto de um movimento positivo que se divide entre a busca por mudança de emprego ou vontade de empreender. Na ótica inversa, a desistência pode ser atrelada à insatisfação com o trabalho atual, dado que a pandemia trouxe maior pressão psicológica em relação à relação vida e trabalho”, diz o documento.

Mantovani avalia que esse movimento dos profissionais está atrelado à busca por oportunidades mais alinhadas ao perfil e momento de vida. Ele observa, ainda, que a taxa de desemprego registrou queda no período e atingiu o menor porcentual do ano. “Embora ainda seja uma grande parcela da população, estimada em 12,6% no último trimestre, quando olhamos apenas para o recorte de profissionais qualificados, essa taxa fica em 6%. Ou seja, a abertura de novas vagas e oportunidades é evidente, e os bons talentos estão cada vez mais disputados”, completa.

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