James Yang/The New York Times
James Yang/The New York Times

Aula online vive boom além das crianças e ajuda a reciclar adultos

Novas ferramentas online e uma série de aulas e programas a distância estão reforçando a educação digital e a formação profissional para adultos

Kerry Hannon, The New York Times

19 de fevereiro de 2021 | 05h01

Deb Livingston, antiga consultora de empresas, sempre foi uma pessoa curiosa e ávida para aprender coisas novas. “Quando surgiu a pandemia, fiquei confinada em casa e comecei a fazer uma exploração online." Ela descobriu o GetSetUp, um website interativo que oferece ensino virtual para adultos.

Mesmo ex-executivos como Jeff Mihm, que reside em Miami e dirigiu a Noven Pharmaceutic, às vezes necessitam de uma nova direção na vida.

Depois de deixar seu cargo corporativo, Mihm, 55 anos, decidiu voltar à escola - virtualmente por causa da pandemia - e se matriculou no programa Tower Fellows, da universidade do Texas, em setembro.  “Amo aprender e foi uma oportunidade de voltar à escola, estudar e explorar”, afirmou.

A internet tem capacitado adultos com novas ferramentas online para reforçarem a educação e sua formação. “A necessidade dos trabalhadores se atualizarem numa economia que muda rapidamente, e também responderem às mudanças tecnológicas e culturais, juntamente com carreiras mais longas, tudo isto vem se somar no caso de uma grande parcela de adultos que precisa aprender mais do que as gerações passadas - e mais rápido e sempre”, disse Luke Yokinto, membro na área da pesquisa no MIT Agel e coautor do livro Grasp: The Science Transforming How We Learn.

Em 2034 o número de adultos com 65 anos ou mais vai superar o de menores de 18 anos, segundo o serviço de recenseamento. “Esse crescimento da população de mais idade vai se traduzir em nova demanda de enriquecimento na forma da educação digital. Diria que, para o bem ou para o mal, os mais velhos vão servir como terreno de prova para as tecnologias de aprendizagem nos próximos anos”.

A educação de adultos, contudo, é uma espécie de Oeste Selvagem da tecnologia educacional, diz Yoquinto. Existem muitas organizações experimentando maneiras de lidar com o mercado da educação online de adultos, incluindo faculdades comunitárias e universidades, no tocante às plataformas de aprendizagem, provedores de workshops e organizações sem fins lucrativos.

O objetivo de Livingston era aprimorar suas competências para se tornar uma professora paga na plataforma do GetSetUp, que oferece aulas - sempre por meio do Zoom por professores com mais de 50 anos de idade - que vão desde o desenvolvimento profissional a assuntos como tecnologia, saúde, bem-estar e hobbies, por exemplo fotografia. Há até um novo curso sobre registro para uma vacina contra a covid-19, dada as dificuldades que muitas pessoas têm enfrentado. Há três tipos de adesão, que vão da gratuita até um pagamento de US$ 20 mensais para acesso ilimitado à plataforma.

“A natureza do trabalho vem mudando”, disse Neil Dsouza, fundador e diretor executivo do GetSetUp. “A maneira tradicional de formular o aprendizado e a requalificação é um programa extenso e longo em que a pessoa obtém um certificado ou um diploma. E no momento em que você obtém esse certificado seu conhecimento já está desatualizado. Estamos mudando esse modelo”.

Livingstone, que vive em York, na Pensilvânia, matriculou-se para aprender como utilizar o Zoom para dar aulas e como administrar e conduzir uma aula online e ensinar no Google Classrooms. “O pessoal mais velho estava em lockdown e ansioso para aprender e se conectar”, disse ela.

Como é uma pessoa interessada em cozinhar e comer de modo saudável, ela começou a dar aulas do tipo “Grandes Jantares em 30 minutos ou menos”, “Comer saudável com economia” e “Sobremesas saudáveis que são também deliciosas”.

Em janeiro a Oasis, organização educacional sem fins lucrativos, lançou o Oasis Everywhere, com um menu de aulas online sobre temas como arte e escrita. A Senior Planet, uma unidade da Older Adults Technology Services, ou OATS, é um recurso sem fins lucrativos para pessoas com mais de 60 anos e oferece cursos e palestras.

A OATS foi fundada em 2004 em Nova York como um projeto comunitário para pessoas mais velhas e focado na educação tecnológica. Desde então ela se expandiu para mais de 200 localidades em cinco Estados, atendendo comunidades urbanas e rurais. Mas no ano passado, com a pandemia, a situação mudou. “Demos centenas de aulas presenciais antes de o vírus obrigar a fecharmos os locais em março”, disse Tom Kamber, fundador e diretor executivo da entidade.

Foi quando sua equipe se reuniu e em questão de semanas lançou uma série de cursos e programas digitais que expandiram rapidamente seu alcance para seu público principal, ou seja, uma comunidade global de pessoas com 60 anos ou mais.

Ao mesmo tempo que adultos com mais idade continuam a aprender novas habilidades, eles também estão iniciando novas atividades. Em 2019 pesquisa realizada pela Kauffman Foundation, grupo de apoio ao empreendedorismo, concluiu que mais de 25% dos novos empreendedores tinham idade entre 54 e 64 anos, um aumento em comparação com os 15% em 1996.

Os cursos online vêm impulsionando a onda de startups. A GetSetUp, por exemplo, oferece cursos sobre como lidar com o mercado do e-commerce, começar uma empresa a partir de casa e criar um website.

Entre outras ofertas para empreendedores, há também a Blissen, um acampamento de treinamento intensivo virtual de três meses para empreendedores com mais de 50 anos de idade. E o programa Work for Yourself @50+ da AARP Foundation, que oferece workshops e Webinar gratuitamente.

Mas todas essas oportunidades online não são possíveis sem o acesso à Internet. “Apesar de existir uma paixão crescente pelo conhecimento, pessoas são excluídas do processo educacional neste país porque não estão online”, disse Kamber. Com base num estudo feito pela OATS e recentemente divulgado em parceria com a Human Foundation, quase 22 milhões de americanos com mais de 65 anos não possuem acesso de banda larga em casa.

“A boa notícia, contudo, é que o nível de sofisticação da educação vem crescendo e mais possibilidades de acesso vêm chegando para as comunidades rurais”, disse Kamber. “É um admirável mundo novo de aprendizado para as pessoas e isso me dá esperança”. / Tradução de Terezinha Martino

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