Douglas Crepaldi
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Auxílio home office deve seguir em alta no modelo híbrido, aponta startup

Pesquisa da Flash Benefícios mostra que cresceu 566% no último ano o número de empresas que aderiram ao recurso, mesmo após a abertura gradual dos escritórios

Ludimila Honorato, O Estado de S.Paulo

17 de maio de 2022 | 05h02

Lá em 2020, quando as empresas se deram conta de que o trabalho remoto ia perdurar por muito mais tempo, observou-se também a necessidade de apoiar o funcionário que passou a gastar mais trabalhando em casa. Contas de água, luz, internet e gás aumentaram com a permanência prolongada e, eventualmente, de mais pessoas no lar. O auxílio home office veio para ajudar na adaptação e deve seguir em uso mesmo após a abertura dos escritórios.

Essa é a percepção de Rafael Maia, diretor de marketing e vendas da Flash, empresa de benefícios flexíveis que lançou esse tipo de auxílio em maio daquele ano. “A demanda começou dos clientes e, mesmo tendo empresa voltando para o presencial, tem multinacional lançando agora por causa do modelo de trabalho híbrido”, diz.

Ele explica que, no começo, as companhias depositavam junto ao salário o valor adicional, mas havia risco trabalhista e dificuldade de gestão, pois nem todos os funcionários estavam em home office, por exemplo. Segundo Maia, o uso do recurso no cartão de benefícios vem crescendo e, de modo geral, o RH poder escolher o benefício e o trabalhador poder usá-lo como quiser é um avanço, traz segurança legal às empresas e onera menos os dois lados.

Na prática, o auxílio home office oferecido pelas companhias por meio da startup tem as despesas básicas da casa como destino principal. Pesquisa da Flash mostra que, em janeiro deste ano, 94% das transações foram para pagar contas de água, luz, gás, internet e telefone. Os outros 6% foram usados na aquisição de itens necessários à infraestrutura do trabalho em casa, como mobiliário e equipamentos eletrônicos.

Embora a proporção entre os gastos tenha sofrido pequenas variações no último ano, o investimento maior em itens de escritório coincide com os momentos de mais reclusão devido à pandemia. Nos primeiros cinco meses de 2021, esses gastos, por meio de cupons dos parceiros da startup, representaram entre 2% e 6% das movimentações financeiras. Naquele período, aumentava a preocupação com a variante Delta do coronavírus.

Com a implementação mais estruturada do modelo de trabalho híbrido, Maia percebe que os funcionários voltaram a investir na estrutura do home office. Porém, o gasto majoritário com despesas básicas deve se manter, afirma, pois são custos indispensáveis e elevados. A Flash identificou também aumento no número de empresas que oferecem o auxílio home office: 566% no último ano. 

Por que não pagar no salário?

Diferentes empresas de benefícios permitem a flexibilidade de usar um mesmo cartão para transações diversas, desde vale-alimentação até mobiliário. Mas, dessa forma, o valor disponibilizado fica restrito a determinados usos e surge a dúvida sobre se seria mais conveniente tê-lo direto no salário para o funcionário, de fato, usar como quiser.

Rafael Maia explica que, se a empresa desse a quantia como salário, o custo para ela seria mais alto. “Porque tem desconto do Imposto de Renda, e a empresa paga imposto por algo que está solicitando para o funcionário. A maneira do auxílio home office que as empresas viram foi onerar menos a empresa e o colaborador.” Além disso, afirma, a Flash certifica à empresa que o valor vai ser gasto de três maneiras: conta de utilidade (gás, energia), papelaria e material de escritório (mobiliário, decoração).

Por parte dos funcionários, o diretor percebe que eles olham mais para o benefício do que para o salário, conforme outro levantamento feito pela startup em parceria com a Offerwise. Na pesquisa, dos 503 trabalhadores CLT entrevistados, 77% afirmam considerar os benefícios na tomada de decisão quando se trata de mudar de emprego ou escolher entre propostas. Já 54% preferem melhores benefícios a melhores salários.

Maia destaca outro recurso do cartão, o cash in, em que o funcionário pode complementar o saldo do benefício para fazer alguma aquisição. Válido desde setembro do ano passado, tanto a quantidade de colaboradores que depositaram algum valor quanto o número de transações cresceram quase cinco vezes entre outubro e janeiro. No mesmo período, aumentou 36% no valor depositado: uma média de R$ 50,62 em outubro para R$ 68,90 em janeiro.

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