Cenário internacional abala bolsa; renda fixa é melhor opção de julho

O ouro também se destacou, como ocorre historicamente em tempos de crise, mas especialistas não recomendam metal para pequenos investidores

Roberta Scrivano, de O Estado de S. Paulo,

29 de julho de 2011 | 19h26

O cenário internacional foi decisivo para o desempenho dos investimentos no Brasil em julho. As turbulências dos EUA e da União Europeia impactaram diretamente a cotação da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), que amargou a pior rentabilidade do mês com queda de 5,74%. Por outro lado, o ouro – que historicamente tem bons resultados em momentos de crise – disparou e se consolidou como a modalidade mais rentável de julho, com alta de 9,32%. O dólar também não vai bem. Só em julho, a moeda perdeu 0,51%.

"Não há explicação doméstica para a configuração do ranking dos investimentos nesse mês. Foi o mercado internacional que colocou a bolsa em posição tão ruim e o ouro com a melhor rentabilidade", diz Rogério Bastos, diretor da consultoria FinPlan.

As modalidades que integram a renda fixa, durante o mês de julho, demonstraram boa performance. O Certificado de Depósito Bancário (CDB), por exemplo, deu 0,77% de retorno aos investidores. Os fundos DI também registraram rentabilidade de 0,77%. Na sequência aparecem os fundos de renda fixa (com alta de 0,67%) e, depois a caderneta de poupança, com aumento de 0,62% no mês.

Nesta semana, a divulgação da ata da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do BC, que sinalizou que a taxa básica de juros (Selic) pode chegar a 13% ao ano até o fim de 2011, deu ainda mais força para as modalidades de renda fixa.

"O juro no Brasil é alto o que torna a renda fixa atrativa. Com perspectiva de alta, essa modalidade passa a remunerar ainda melhor", diz Bastos, da FinPlan.

Alexandra Almawi, economista da Lerosa Investimentos, pondera, por sua vez, que a bolsa de valores é um investimento de longo prazo e que olhar o desempenho das ações em apenas um mês não está correto. "A bolsa oscila e muito. Por isso, deve-se analisar os resultados sempre no longo prazo, ou você pode se enganar", comenta.

Mas, mesmo com uma análise mais longa, a Bovespa também mostra resultado negativo. Desde janeiro, a bolsa já acumula perdas de 15,12%. "Mas creio que esse ranking poderá se inverter daqui para o fim do ano", estima a economista.

E, como as cotações da Bovespa estão bem baixas, Fábio Colombo, administrador de investimentos, recomenda que os interessados em ações comecem a comprar papéis gradativamente de agora em diante. "Em termos estatísticos, a projeção para os próximos 12 meses é um ponto médio de 65.000 pontos, o que representa uma alta de 11% para o índice Bovespa", avalia.

No ano

Na listagem que analisa o desempenho dos investimentos desde janeiro, ficou com a primeira colocação o ouro (7,32%); em segundo lugar ficou o CDB (5,17%). Em seguida aparecem os fundos DI (5,13%); depois, os fundos de renda fixa (3,66%); na sequência aparece a caderneta de poupança (3,61%).

O dólar (-6,67%) e a Bovespa (-15,12%) foram as alternativas que não ganharam da inflação medida pelo IGP-M (3,03%).

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