Conhecer público-alvo é trunfo para estudantes

Aluno que empreende no mercado estudantil usa os conhecimentos do meio a seu favor

Gustavo Coltri, de O Estado de S. Paulo,

26 de julho de 2011 | 16h25

Promovendo de jogos a viagens, o mercado dedicado a estudantes - e comandado por alunos - movimenta informalmente as instituições de ensino em todo o País. Iniciativas que, livres do amadorismo, podem se tornar atividades profissionais bem sucedidas e de longo prazo.

Foi na Atlética do curso de direito da Pontifícia Universidade Católica (PUC) de Campinas que André Biazzo, hoje com 35 anos, conheceu os jogos Jurídicos - campeonato entre faculdades organizado pela empresa em que atualmente tem sociedade. "Lá, tive um envolvimento muito próximo com os organizadores, porque a PUC presidiu os jogos em 2004, e eu era diretor da Atlética na época", conta o empresário, sócio da Arena Universitária desde o ano passado depois de três anos na gerência da companhia. A empresa é responsável pela promoção dos principais eventos do tipo no Estado, como o InterUnesp, previsto para ocorrer em novembro com cerca de 17 mil alunos. "Grande parte dos funcionários também acabou de sair da faculdade. O DNA universitário está muito vivo dentro deles."

Hoje, com mais de 130 empregados diretos, a empresa de eventos Impacto Ticomia, sediada em Bauru, começou com a iniciativa de três alunos de engenharia. Marco Antônio Oliveira, 33, Maurício Pugliesi, 33, e Renato Pugliesi, 35, iniciaram a realização de festas em repúblicas de estudantes em 1994, ganhando fama no circuito estudantil local. "Perto do término da faculdade, eles resolveram tomar a atividade como profissão, tamanha era a notoriedade de suas festas. Veio então a profissionalização", conta Fábio Andrade, gerente de comunicação e marketing da companhia, líder regional no segmento, com atuação em mais de 40 cidades.

Para Henrico Esichiel, 32, sócio-fundador da empresa de turismo estudantil Trip & Fun, a vontade de empreender surgiu em 1996, durante sua viagem de formatura no ensino médio. "Vi que era um mercado precário. Não era um serviço para o aluno. E, por ser jovem, eu sabia disso."

Aos 19 anos, fundou sua primeira empresa, organizando viagens para estudantes - entre eles, Leandro Dalrri, com quem viria a firmar parceria. A Trip & Fun foi fundada em 2006, com a participação de Henrico, Leandro e o irmão Vandré Dalrri - na época, todos universitários. "Sabíamos a música e as roupas da moda. Estávamos no meio de tudo", diz Vandré, 32, ex-aluno de mecatrônica.

Estratégia. Estar próximo dos jovens é a maior aposta dos ex-estudantes. "Sabemos tudo o que borbulha entre os adolescentes e tentamos manter esse conhecimento a todo custo. Todo ano, aproveitamos uns três ex-excursionistas como monitores."

A medida também é adotada pela Arena Universitária. "Quando fomos nos afastando do meio acadêmico, nossa alternativa foi estar rodeado de universitários formadores de opinião", diz André Biazzo. A empresa realiza ainda o monitoramento de redes sociais entre os jovens.

"Se você satisfizer um consumidor jovem, ele vai ser um multiplicador nas redes. Paga por um e leva 300", diz Marcos Calliari, sócio da agência de marketing jovem Namosca. Segundo o especialista, a geração atual pede que os empresários sejam inovadores. "Este jovem não aguenta esperar. As questões logísticas ganham uma importância brutal. Eu tenho que estar visível e de fácil acesso."

Calliari também averte: a dificuldade da nova geração em planejar pode ser um obstáculo. "O problema não é o concorrente que você tem, mas o que você vai ter", complementa o consultor do Sebrae Julio de Alencar.

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