Crescimento da oferta coloca qualidade de cursos em xeque

Procura em alta e número de vagas crescente leva matrículas na área a dar salto de 985% entre 2001 e 2009

Estado de S. Paulo,

18 de maio de 2011 | 14h46

As matrículas em graduações tecnológicas são as que mais crescem no País, segundo o último Censo da Educação Superior, de 2009. Essa modalidade teve aumento de 26,1% no número de matriculas em comparação com o ano anterior. Em 2008, o Brasil contava com 539 mil matrículas nesses cursos, número que cresceu para 680 mil em 2009.

Se compararmos com dados de 2001, o número de estudantes matriculados na modalidade saltou 985%. No entanto, com o crescimento vertiginoso, se levanta a questão da qualidade dos cursos. Eles começaram a ser avaliados em 2007 pelo Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade) e apenas 38% deles passaram por algum tipo de avaliação do Ministério da Educação (MEC). Nos três anos que apresentam resultados consolidados - os últimos dados divulgados são de 2009 - uma média de 30% dos cursos tiveram conceitos inferiores aos considerados aceitáveis. Segundo o coordenador de ensino superior das Fatecs, Angelo Cortelazzo, um dos possíveis motivos para a qualidade em xeque é que as instituições privadas oferecem a maioria das vagas para a modalidade de ensino superior.

"A pressa de abrir cursos e a massificação podem levar à baixa qualidade em alguns casos. Esse é o problema de se perseguir o lucro e do crescimento sem controle", opina Cortelazzo. Dados apontam que apenas 101 mil das 680 mil matrículas nos cursos superiores de tecnologia são oferecidas por instituições públicas.

Para a diretora de Regulação e Supervisão do MEC, Andrea de Faria Barros Andrade, a avaliação é complexa e leva em conta vários fatores. "Houve uma explosão de cursos nos últimos dez anos. É problemático avaliar com poucos dados. As estatísticas também podem ser distorcidas quando avaliadas sem critério", comenta Andrea.

Ela também afirma que o MEC tem feito seu trabalho ao punir as instituições ruins. "Se forem constatados problemas, podemos desde forçar a faculdade a diminuir a sua oferta de vagas até fechar o curso", acrescenta. "Não são só os cursos tecnológicos que têm qualidade duvidosa no Brasil. Com o crescimento de vagas e instituições ficou difícil avaliar a qualidade de todo ensino superior no País", diz o coordenador do Centro Universitário Senac, Elias Roma Neto.

Segundo ele, apesar das dificuldades criadas pela expansão, o MEC deveria ser mais ágil para coibir e até fechar cursos que não estão bem avaliados. "Os cursos que formam tecnólogos tem perfil diferente, mas devem ter o mesmo rigor na avaliação", afirma Roma Neto.

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