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Em tempos de crise, profissional deve ter a coragem de se expor

No atual cenário ameaçador do mercado de trabalho, o segredo é não se esconder

Felipe Pontes, Fellipe Bernardino, Especial para O Estado de S. Paulo

11 de junho de 2015 | 07h00

A simples menção à palavra "reestruturação" é capaz de espalhar calafrios pelos corredores das empresas. Diante da ameaça de cortes de funcionários, a reação mais comum é automaticamente manter-se alheio ao problema, para disfarçar o medo de perder o emprego. 

Em tempos de crise, é ainda pior. Fatos negativos na economia, que se refletem na percepção comum, espalham um clima de apreensão no mercado de trabalho. Mas o segredo para garantir uma posição e aproveitar as oportunidades que possam surgir em momentos desfavoráveis pode estar em se fazer exatamente o contrário. 

"Muitas pessoas nesse momento ficam escondidas. É aquele cara que nem vai falar com o chefe", destaca Rafael Souto, presidente da Produtive, empresa especializada em planejamento de carreiras. "A pessoa que adota uma postura de colaboração e de entendimento do momento da empresa tende a ter melhores resultados". 

Ele e outros recrutadores e executivos ouvidos pelo Estado confirmaram que, desde o início do ano, as empresas deixaram de expandir seus quadros. Algumas extinguindo vagas, outras apenas contratando o bastante para repor posições essenciais. Todos, no entanto, foram assertivos em atestar que o mercado não abre mão de quem assume o risco de se expor, mostrando-se disposto a colaborar com os gestores. 

Paulo Queiroz, um dos presidentes da agência de publicidade DM9, aconselha a não se intimidar com o momento. "Um leão [a crise] não ataca uma zebra forte". A principal competência profissional necessária em momentos de incerteza no cenário econômico, afirma ele, é a confiança de "olhar através da crise". 

O executivo julga importante que os profissionais saibam atravessar esse momento munidos de convicção e conscientes de que devem "chegar ao outro lado da crise mais fortes do que estão agora". Mas ele não recomenda guinadas repentinas. Neste momento, "é necessário foco e determinação". Assim como considera temerárias estratégias de negócio que mudam de direção com muita frequência, o publicitário avalia que o mesmo vale para os profissionais. 

Já o gerente executivo da Michael Page, Fábio Cunha, dá mais destaque à postura dos profissionais nos locais de trabalho. Ele aconselha que o foco esteja nos processos internos das empresas. Para ele, estarão mais bem posicionados os profissionais que souberem trazer ganhos de eficiência às empresas em que trabalham.

Fernando Mantovani, diretor de operações da multinacional de recrutamento Robert Half, acredita que o importante neste momento é que o profissional mantenha o equilíbrio emocional. Caso contrario, o risco é que a tensão afete a produtividade e, por consequência, a imagem pessoal dentro da empresa. 

"Você não consegue tomar as decisões pela empresa em relação a ela desligar ou não você. Então, se você tem interesse em permanecer na empresa, a primeira palavra é equilíbrio emocional". Mantovani vê mais chances de sucesso em profissionais que realizam as tarefas da melhor forma possível e que oferecem ajuda quando ela é necessária. 

"Quando o mercado vive um momento ruim, você precisa trabalhar o dobro para entregar o mesmo resultado. Então, tentar se oferecer para ajudar de alguma forma é sempre positivo", ele destaca. 

Mesmo assim, alguns profissionais ainda levam mais tempo do que a maioria para se recolocarem no mercado de trabalho em tempos de crise econômica. "Às vezes fica mais difícil. Existem pessoas que nos momentos de dificuldade econômica levam mais tempo para conseguir emprego. Isso é um fato", afirma Mantovani. Em casos assim, também é necessário se movimentar. A saída do desemprego pode estar na qualificação profissional. 

"Bons profissionais ainda são carentes no mercado", lembra Mantovani. A boa notícia é que a crise atual deve ser passageira. "Existe uma tendência de que a situação se normalize".

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