Empresas usam método de pontos para salários

Consultorias fazem pesquisas de mercado sobre valores pagos para ajudar nas contratações; na construção, falta de profissionais ‘achata’ vencimentos

Fernando Scheller, de O Estado de S. Paulo,

18 de agosto de 2010 | 22h30

Você descobriu que o colega que trabalha ao seu lado, no mesmo cargo, recebe salário bem maior. Por trás dessa diferença, pode haver um método matemático usado para definir o salário de profissionais com níveis de experiência e responsabilidade diversos em igual função. Essas regras permitem que os salários para o mesmo cargo variem mais de 70%.

A consultoria norte-americana Hay Group desenvolveu um método de pontos para calcular salários. O objetivo é dar flexibilidade às remunerações, conforme a experiência, a formação e o domínio de idiomas de cada candidato a emprego.

O gerente de informações de remuneração do Hay Group, Olavo Chiaradia, diz que o sistema permite duas formas de variação salarial no mesmo cargo: a definição do número pontos para a função e o peso atribuído a ele.

Todo o cargo recebe uma pontuação padrão: por exemplo, um gerente de marketing pode "valer" 1.000 pontos. O método permite que a companhia "inflacione" esse número em até 15%, dependendo do perfil do profissional que procura. A pontuação para o cargo, portanto, pode ir de 1.000 a 1.150.

O peso dos pontos também pode ser diferente. Se o valor padrão para um gerente de marketing é 10, explica Chiaradia, a variação permitida é de 8 a 12 – pela regra, a "nota" máxima pode superar a mínima em até 50%.

Aplicando o sistema à realidade, um profissional experiente e de formação completa pode ganhar até 72,5% a mais do que um iniciante. O candidato júnior pode receber 1.000 pontos e peso 8 (salário de R$ 8 mil). Já uma pessoa experiente pode ter até 1.150 pontos, com peso 12 (vencimento de R$ 13,8 mil). A regra permite variações intermediárias.

Pesquisas

Outra forma de balizar remunerações é por meio de pesquisas. A consultoria Robert Half acompanha, a cada seis meses, os salários mínimos e máximos pagos pelo mercado. A empresa diz ser possível aplicar a variação sugerida a 85% das empresas. "Só 15% das companhias pagam salários fora da curva", diz o diretor de operações da Robert Half, Fernando Mantovani.

Ele afirma que, em tempos de mercado aquecido, a escassez de mão de obra não leva necessariamente ao aumento dos valores pagos no mercado. Para engenheiros recém-formados, o salário caiu em 2010, situando-se entre R$ 2 mil e R$ 2,5 mil – no ano passado, o valor chegava a R$ 3,5 mil. "Isso reflete a falta de profissionais, o que obriga a contratação de formados de universidades de qualidade inferior, que exigem mais treinamento."

Segundo o especialista, o achatamento se reflete em toda a cadeia da engenharia – ele diz as empresas se veem obrigadas a adiantar a promoção de funcionários: "Se a pessoa é promovida sem preencher todos os requisitos, ganhará um pouco menos que o profissional anterior."

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