Envelhecimento põe carreiras em alta

Tendência de aumento da população idosa abre perspectivas para profissionais se especializarem no atendimento a pessoas dessa faixa 

Juliana Portugal, de O Estado de S. Paulo,

30 de agosto de 2010 | 09h31

Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que, atualmente, 6,6% dos brasileiros têm 65 anos ou mais, enquanto 26% estão na faixa de até 14 anos. O próprio IBGE estima que, em 2050, o número de idosos corresponderá a 22% do total dos habitantes enquanto os jovens somarão 13%.

Diante desse quadro, a busca pelo envelhecimento com qualidade será, cada vez mais, almejada - uma travessia que abre um grande mercado para a especialização de profissionais como fisioterapeuta, professor de educação física e fonoaudiólogo. Isso sem falar na figura que já há algum tempo está difícil de encontrar: geriatra.

"Para atender à demanda, seria necessário ter no País 5 mil geriatras", afirma a presidente da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia, Sílvia Pereira. No entanto, o Brasil tem atualmente somente 922 desses profissionais. Por ano, entram no mercado entre 50 e 80. Há cinco anos, o dado era ainda pior, segundo Sílvia, a média estava entre 20 e 25 por ano.

Causas

De acordo com Sílvia, a resposta para número tão reduzido está na grade curricular dos cursos de medicina. "Muitas faculdades não ofereciam geriatria como disciplina, logo, o aluno não tinha contato e, obviamente, não optava pela especialidade." Outra causa da fuga dos estudantes é que a geriatria é uma especialidade clínica, em que não há procedimentos como cirurgia, e, portanto, o ganho é menor. Além disso, Sílvia lembra que o número de atendimentos diários é menor que o de outros médicos. "A consulta é mais elaborada, não é rápida."

Ainda assim, a perspectiva é ter uma clientela cada vez maior. A respeito do preparo, ela conta: "Após a graduação, é preciso fazer residência em geriatria ou, então, fazer os cursos oferecidos na área pelos hospitais". Somente quatro anos após a conclusão da faculdade, o profissional pode realizar a prova na Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia para se tornar um geriatra. O salário inicial desse profissional, em geral, segue a faixa de qualquer outro médico: três salários mínimos.

Clineu de Mello Almada Filho, 49 anos, é um dos 922 geriatras brasileiros. Atualmente, trabalha no Hospital Albert Einstein. A opção pela carreira aconteceu há 25 anos. "Queria ser o médico que cuidasse da pessoa por inteiro, não apenas de um órgão com problema." Durante o período de residência, Almada Filho teve o primeiro contato com a especialidade. "Descobri que, com a geriatria, poderia trabalhar desde a prevenção até a fase mais avançada de alguma doença."

Beneficiando-se da lacuna existente no mercado, Almada Filho não teve dificuldade em encontrar empregos em nenhum momento de sua carreira. Após a conclusão da faculdade, começou com atendimento domiciliar em diversos cantos da cidade. "Foi assim que conheci São Paulo", diz ele, que é de Itapetininga, no interior paulista. Quando o paciente precisava de cuidados de outros especialistas, ele os encaminhava para hospitais. E foi assim que foi se tornando conhecido, fez contatos e propostas de trabalho surgiram. Hoje, além de atuar no hospital, dá aulas na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). 

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