Estímulo à colaboração explica sucesso da Pixar

Produtora de filmes de animação como ‘Toy Story 3’ encoraja a opinião dos funcionários

Aiana Freitas, de O Estado de S. Paulo,

28 de julho de 2010 | 22h30

Último filme da série, Toy Story 3 já arrecadou mais de US$ 350 milhões no mundo todo. O bom resultado é explicado, em parte, pelo fato de o longa-metragem marcar o fim de uma das mais bem-sucedidas franquias de animação da história e de usar uma moderna tecnologia em terceira dimensão. Mas por trás dos números está, também, um modelo de gestão que passou a ser olhado como exemplo por especialistas no mundo todo.

Fundada em 1986 em Emeryville, na Califórnia, a Pixar desde 1995 vem colecionando sucessos de bilheteria e crítica como Carros, Vida de Inseto, Procurando Nemo e Up – Altas Aventuras. O bom desempenho é consequência do que talvez seja a característica mais visível – e valorizada – da empresa: a criatividade. "Essa é uma qualidade abundante na Pixar porque a empresa estimula a colaboração de todos os funcionários em seus projetos", afirma o consultor americano Bill Capodagli, autor de Nos bastidores da Pixar - Lições do playground corporativo mais criativo do mundo (Editora Saraiva), recém-lançado no Brasil.

No dia a dia, esse ambiente colaborativo se estabelece, sobretudo, por meio do estímulo à comunicação: os empregados da Pixar são encorajados a opinar sobre os filmes que estão sendo feitos pela empresa, estejam eles envolvidos diretamente ou não com a produção.

A criação desse ambiente significa permitir que o funcionário, muitas vezes, passe por cima de hierarquias. O que, no caso da Pixar, é estimulado pelo cofundador e presidente Ed Catmull. "É preciso perceber que a hierarquia de tomada de decisões e a estrutura de comunicação são duas coisas diferentes. Funcionários de qualquer departamento devem ser capazes de abordar alguém de outro departamento para resolver problemas sem ter de passar pelos canais competentes", comenta ele no livro.

Liderança

O tipo de liderança exercido por Catmull tem sido, de fato, parte fundamental do sucesso da empresa. "Ele evita tomar decisões de cima para baixo ou dizer como as coisas devem ser", explica Capodagli. Uma atitude que se diferencia em muito, por exemplo, daquela adotada na maior concorrente da Pixar, o estúdio Dreamworks. "Jeffrey Katzenberg (CEO da Dreamworks) é uma pessoa que dá ordens. É ele que define o jeito como as coisas devem ser feitas. Essa mentalidade, especialmente se vem de um líder, atinge a todos numa organização. E outros líderes, de vários níveis, acabam agindo da mesma forma e levando isso adiante", diz o consultor.

A comparação se mostra menos favorável à Dreamworks – que tem entre seus proprietários o diretor mais rentável da história do cinema, Steven Spielberg – quando se registra que o estúdio quase foi à falência antes de ser comprado pela Paramount, em 2005.

Sócios

Assim como a Pixar, empresas como a fabricante de computadores Apple, a loja virtual de sapatos Zappos e a rede de hipermercados Walmart se tornaram conhecidas mundialmente por estimular ambientes que valorizam a colaboração. "São empresas que fazem muito mais do que apenas pendurar caixinhas para os funcionários escreverem sugestões que nunca serão colocadas em prática", resume Denys Monteiro, sócio da Fesa, empresa de recrutamento de altos executivos.

Mas, por mais favorável que seja o ambiente de trabalho, Monteiro destaca que o engajamento completo só ocorre com uma mudança de mentalidade do funcionário. E isso, em muitos casos, só acontece se a empresa adotar atitudes mais práticas. "Algumas empresas, por exemplo, transformam seus funcionários em sócios. A criação dessa ‘mentalidade de acionista’ é a melhor forma de se conseguir engajamento, porque o funcionário percebe que ele também ganha se a empresa ganhar."

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