Ex-executivos se unem para prestar consultoria

Com experiências em áreas diferentes, profissionais se unem para oferecer pacotes de serviços às empresas 

Fernando Scheller, de O Estado de S. Paulo,

18 de maio de 2011 | 23h00

Eduardo, Maria Angela e Manuel são amigos de longa data. Conheceram-se quando atuavam, em diferentes cargos, no mais alto escalão da AES Eletropaulo, na última década. Com as diversas mudanças que afetaram a empresa, todos saíram da companhia ao longo dos últimos quatro anos. Com experiência na área de energia em áreas complementares - presidência executiva, RH e comunicação -, decidiram tomar o mesmo rumo na carreira: abriram empresas de consultoria para prestar assessoria a diferentes companhias.

Como trabalham com estruturas enxutas, que se resumem a escritórios com poucos auxiliares, os três profissionais muitas vezes dependem um do outro para prestar uma consultoria completa. Segundo Eduardo Bernini, ex-presidente da AES, a vantagem da criação de um networking de consultores é que todos os parceiros podem originar novos negócios. "E aquele que conquistou o cliente, naturalmente, se torna o líder daquela determinada conta", explica.

Com Maria Angela Jabur, proprietária de uma consultoria de imagem corporativa, Bernini trabalhou no diagnóstico para modificar a administração da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim). O objetivo era deixar a entidade mais relevante. Entre as tarefas do trabalho temporário - que durou cerca de um ano - figuraram a aceleração de processos internos e uma "plástica" na imagem da Abiquim perante seus sócios. Durante o processo, Bernini chegou a assumir interinamente a presidência da entidade.

Especialista em recursos humanos, Manuel Martins contribui para o grupo de consultores com a gestão de pessoas. Com a ajuda do profissional, Maria Angela e Bernini podem oferecer serviços de gestão de líderes, avaliação de executivos e formação de conselhos de administração. Segundo os consultores, o trabalho personalizado permite um atendimento de butique aos clientes. "Nos nossos serviços de coaching, atendemos os executivos em todos os momentos, a qualquer horário", exemplifica Manuel.

Empregabilidade. Para Carlos Eduardo Altona, diretor da consultoria Exec, a contratação de consultores com mais de 50 anos pode ser uma forma de empresas acessarem profissionais de larga experiência a um custo relativamente baixo.

Isso porque, especialmente para as companhias de médio porte, pode ser caro demais manter um profissional com décadas de mercado em um cargo executivo. "Acho que a consultoria é uma sequência natural, lógica e benéfica para a carreira desses executivos", diz o consultor.

Altona diz também que a atuação por projeto - com cobrança em pacote de serviços ou por hora de trabalho - também é uma forma de um profissional com idade mais próxima da aposentadoria garantir sua empregabilidade. Mas, para ele, a tendência do mercado em valorizar o profissional mais jovem pode representar um perigo em tempos de crise, quando a experiência de turbulências anteriores pode se mostrar valiosa.

"Acho que, depois da crise de 2008, o profissional um pouco mais sênior passou a ser valorizado, com o mercado olhando com mais carinho os executivos de 40 a 45 anos. De forma geral, diria que o auge da carreira como executivo está hoje entre os 35 e os 45 anos de idade", afirma. 

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