Grupos alemães querem mais mulheres na chefia

Um grupo de 30 empresas apresentou plano para aumentar voluntariamente a participação feminina no comando, o que gerou polêmica no governo

Der Spiegel,

20 de outubro de 2011 | 15h41

O número de mulheres ocupando posições de liderança nas empresas alemãs é baixíssimo, problema que as principais companhias do país prometeram abordar em reunião realizada na segunda-feira em Berlim. O grupo de 30 empresas que compõem o índice alemão de ações DAX apresentou um plano para aumentar voluntariamente a proporção de mulheres nos papéis de liderança - chegando à marca de 35% até 2020.

A ministra da Família, Kristina Schröder, uma conservadora que faz parte da União Democrática Cristã da chanceler Angela Merkel, que há meses trabalha para chegar a um acordo voluntário, pareceu satisfeita após a reunião. "Aquilo que vivenciamos nos últimos meses é mais do que tudo que vimos nos últimos dez anos", disse ela.

Mas Ursula von der Leyen, também democrata-cristã e ministra do Trabalho, discordou. Defensora de uma cota legal vinculante, ela disse que as metas voluntárias eram insuficientes para preencher uma lacuna cada vez maior, além de não lutarem por mais participação feminina nos conselhos executivo e supervisor.

"Apenas 3,7% dos membros dos conselhos das empresas listadas no nosso índice são mulheres", disse ela numa coletiva de imprensa. "Isso não serve como cartão de visitas" para um país tão importante quanto a Alemanha no mercado global de trabalho, disse ela. "É extremamente necessário melhorar esse quadro." As duas políticas têm se enfrentado há meses quanto a esse tema, e a mídia alemã tem retratado o conflito como uma espécie de briga de mulheres.

A ministra do Trabalho insiste que a legislação deve ditar um aumento na presença das mulheres nos altos escalões das empresas, que deveria chegar a 30% até 2018, enquanto Kristina ameaçou as principais empresas com aquilo que ela chama de "cota flexível", que entraria em vigor em 2013, se o número de mulheres nos altos cargos da administração não for triplicado até essa data. Ainda assim, na terça feira, Ursula disse à emissora Deutschlandfunk que a proposta era "um passo adiante", embora apenas no sentido de que o debate pode agora se voltar para perguntas como: "Por que as metas não são mais ambiciosas?"

Os políticos da oposição também criticaram o acordo de Kristina. "Na Alemanha, precisamos urgentemente de cotas definidas por lei. Caso contrário, a participação igualitária das mulheres nas posições do alto escalão será adiada indefinidamente", disse Andrea Nahles, social-democrata de centro-esquerda, ao jornal Rheinische Post, acusando a ministra da Família de ceder a pressões vindas do mundo corporativo.

Mas é improvável que as principais empresas alemãs se submetam a cotas rígidas, como sugeriram as propostas vagas apresentadas na segunda-feira, cujas ambições variavam. Em vez disso, as empresas falam em promover "mulheres em posições de liderança".

Comissão Europeia. Apesar das propostas, talvez seja impossível evitar uma cota para os gêneros. Diz-se que o rascunho de uma proposta para uma lei de cotas para gêneros já estaria circulando dentro do ministério da Família, cujos funcionários esperam ver sua aprovação até julho de 2012. Uma tentativa de tornar a cota legalmente vinculante poderia também aplacar as preocupações da Comissão Europeia.

A vice-presidente Vivian Reding, conhecida defensora das leis de cotas para gêneros nos conselhos executivos, anunciou recentemente que analisaria o progresso dos países membros, ameaçando apresentar uma diretriz vinculante a partir de Bruxelas se eles não forem capazes de instituir voluntariamente suas metas até março de 2012.

Vivian, comissária de Justiça, está pedindo aos conselhos executivos das empresas listadas nos índices de ações que transformem as mulheres em 40% dos seus membros até 2020. De acordo com o site dela, somente oito empresas em toda a União Europeia já estabeleceram esta meta. Nenhuma delas é alemã.

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