Qualificação é o caminho

Curso profissionalizante é opção à graduação para quem busca crescer na carrreira

Eleni Trindade, do Jornal da Tarde,

21 de fevereiro de 2011 | 09h14

Quem não tem condições de investir tempo e dinheiro em um curso de graduação, tem uma alternativa para se capacitar antes de ingressar no mercado de trabalho: cursos profissionalizantes. "Esse tipo de formação promove a igualdade das classes sociais no que diz respeito às chances de ingressar no mercado de trabalho", diz Karla Mara Alves de Oliveira, consultora de Planejamento de Carreira da Ricardo Xavier Recursos Humanos.

Ter qualificação tem impacto direto no salário e na empregabilidade, explica Marcelo Cortes Neri, economista do Centro de Políticas Sociais da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e autor do estudo "A Educação Profissional e Você no Mercado de Trabalho", feito para o Instituto Votorantim e que tomou como base a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) de 2007 e a Pesquisa Mensal de Emprego (PME) dos últimos oito anos.

"São vários os tipos e níveis de qualificação profissional, mas nosso estudo mostra que o ensino profissionalizante traz impacto no aumento do salário e possibilita às pessoas conseguirem melhores empregos", afirma o economista da FGV. "Em média, o acréscimo salarial é de 14% para quem tem curso profissionalizante e 1,4% para quem tem curso de informática", conta ele. De 2004 a 2010, houve aumento de 75% na procura e na oferta de cursos profissionalizantes, mostra a pesquisa de Neri.

Rildo Marques, 34 anos, empregado há três meses por uma loja de revestimentos, atribui essa oportunidade a um curso profissionalizante de Autocad (software para desenho de projetos) que fez na [IP8,0,0]escola[/IP8,0,0] Prepara Cursos. "Estou fazendo o curso técnico em edificações, mas para o atual emprego foi fundamental saber usar o software", conta.

Flávio Henrique Yoshioka da Silva, de 18 anos, também fez curso profissionalizante e obteve resultado. Há um mês foi admitido na empresa onde era estagiário depois de estudar Excel Avançado. "Quando me firmar no emprego e terminar o ensino médio, quero estudar engenharia", planeja o jovem.

Chances reduzidas

Para o diretor de Marketing da Prepara Cursos, Camilo Carvalho, muitos perdem oportunidades por falta de qualificação. "Atualmente ainda há muita gente não tem conhecimento de informática e acaba rejeitada nas seleções. Outros perdem chances por falta de conhecimento específico para o cargo.

E, segundo especialistas, a demanda por qualificação deve crescer mais. "Os setores de comércio e serviços, que são o foco dos cursos do Senac, continuarão aquecidos graças ao fato de o Brasil ter se tornado rota de negócios, feiras, shows e eventos esportivos mundiais como a Copa e a Olimpíada, que vão exigir mão de obra preparada", argumenta Claudio Luiz de Souza Silva, gerente de Desenvolvimento do Senac-SP, que tem foco em qualificação para o setor de serviços.

"De certo modo valoriza-se excessivamente o diploma superior por parte do mercado e dos próprios trabalhadores, mas a empregabilidade para quem faz cursos profissionalizantes sempre foi alta", ressalta.

A maioria dos participantes de cursos do Senai-SP, que tem como foco a indústria, também consegue emprego. "Um ano depois do fim de cada curso, fazemos uma pesquisa de acompanhamento dos alunos e a média de empregabilidade nas indústrias é de 86,5%", diz o gerente de Educação da instituição, Senai[/IP8,0,0] João Ricardo Santa Rosa. "Os índices têm se mantido altos porque acompanhamos a evolução do mercado brasileiro e implantamos cursos para atender à demanda de áreas em desenvolvimento como os setores de petróleo, gás e aeronáutica.

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