Recém-formada, Geração Z enfrentará fim de carreiras e redução de salário e benefícios

Recém-formada, Geração Z enfrentará fim de carreiras e redução de salário e benefícios

Pesquisador geracional e autor de livros sobre o tema, Jason Dorsey afirma, porém, que as pessoas dessa faixa etária ainda têm muitos anos pela frente para compensar qualquer terreno perdido

Bianca Gomes, O Estado de S. Paulo

26 de outubro de 2020 | 09h00

Recém-saída da universidade, a Geração Z  terá de enfrentar um cenário difícil em seus primeiros anos no mercado de trabalho. Os impactos da pandemia do novo coronavírus incluem redução de salários, perda de benefícios e também de carreiras, explica Jason Dorsey, pesquisador geracional e autor do best-seller Zconomy: Como a Geração Z Mudará o Futuro dos Negócios - E o que Fazer a Respeito, publicado pela HarperCollins.

O palestrante é considerado um dos maiores especialistas em geração Z no mundo. Hoje, atua como presidente do The Center for Generational Kinetics, consultoria que estuda soluções para desafios geracionais e já conduziu mais de 65 estudos sobre o tema pelo mundo.

Em entrevista ao Esta​dão, o palestrante - considerado um dos maiores especialistas em geração Z do mundo - conta que a nova realidade de trabalho vai exigir dos jovens nascidos a partir de 1996 aprendizado constante e resiliência. Especialmente no contexto do chamado mundo Vuca, conceito criado na década de 1990 cuja sigla traduzida para o português significa “volátil, incerto, complexo e ambíguo”. 

Apesar de ter surgido em um cenário posterior à Guerra Fria, a ideia de mundo Vuca tem sido cada vez mais utilizada para explicar a nova realidade das organizações, marcada, sobretudo, por mudanças tecnológicas e novos modelos de gestão. Abaixo, confira os principais trechos da entrevista:  

Existe hoje um novo mercado de trabalho, adaptado ao chamado mundo Vuca? 

Acho que o mercado de trabalho definitivamente mudou e continuará mudando na medida em que encontramos mais complexidade e incerteza do que no passado. Isso provavelmente será o normal até o fim da pandemia e enquanto outras mudanças estruturais da força de trabalho se resolverem, como a realidade de longo prazo do trabalho remoto ou híbrido, a adoção de tecnologia e a entrada da Geração Z no mercado.

A instabilidade do mundo Vuca exige que tipo de funcionários?

Exige funcionários flexíveis, dispostos a se adaptar às mudanças dentro de uma empresa e em seu setor. Funcionários que aprendam continuamente e que também tenham resiliência para seguir em frente mesmo em tempos de adversidades e incógnitas.

Existe um senso comum de que os jovens da geração Z são vistos pelo mercado de trabalho como pessoas com baixa resiliência e que ficam pouco tempo dentro de uma mesma empresa. A impressão corresponde à realidade? 

Não necessariamente. Realmente depende do lugar do mundo, incluindo como a geração é criada por seus pais, quais as expectativas estabelecidas nas escolas e na preparação da força de trabalho, bem como regras governamentais e legais sobre funcionários e empregadores.

O que a geração Z busca no mercado de trabalho?

A Geração Z está procurando um empregador que proporcione a oportunidade de causar um impacto imediato, ajude a desenvolver suas habilidades profissionais e talentos, além de oferecer salários e benefícios competitivos. Curiosamente, a Geração Z também procura trabalhar para um empregador que apoia causas sociais, que são importantes para esses jovens, e principalmente a justiça social e o combate às mudanças climáticas. Acreditamos que a Geração Z pode ser uma adição muito valiosa para os empregadores e funcionários que adaptam a forma de recrutar, treinar e manter a Geração Z. Com isso, eles verão um grande benefício da geração que agora é a de crescimento mais rápido na força de trabalho.

Como a jovem geração Z se comporta no mercado de trabalho?

A Geração Z procura por recomendações de empregos com amigos e familiares primeiro. Depois, buscam oportunidades online, incluindo nas redes sociais e em sites de anúncios de empregos, e procuram vagas abertas com empregadores que estejam fisicamente localizados perto e ofereçam alguma possibilidade de trabalho home office ou façam parte da gig economy (trabalho freelancer) - o que melhor atende sua programação. A Geração Z deseja poder se inscrever facilmente, principalmente por meio de um dispositivo móvel, e ter um processo de integração que os coloque no caminho do sucesso. É uma geração que planeja trabalhar por muitas décadas e, segundo nossas descobertas, podem ser funcionários muito leais, o que muitas vezes é uma surpresa para os empregadores. Acreditamos que a Geração Z possa trazer a tão necessária tecnologia, colaboração e habilidades criativas que podem beneficiar grandes e pequenos empregadores.

A pandemia trouxe mudanças para o mercado de trabalho?

Com certeza. A pandemia não só afetou diretamente a capacidade das pessoas de trabalharem do jeito que trabalhavam antes, mas afetou também o jeito que elas consomem, suas atitudes em relação ao futuro e levou até à intervenção do governo. No entanto, o impacto no longo prazo da pandemia é incerto, já que empregadores, empregados, famílias e países estão passando por essa crise.

Qual o impacto da pandemia para a geração Z, pensando no mercado de trabalho?

Os impactos são muitos, incluindo a redução do mercado de trabalho em muitas partes do mundo, redução de horas ou salários, perda de benefícios, perda de carreira ou experiência de trabalho e perda de potenciais economias. No entanto, a Geração Z também está aprendendo habilidades que podem ser úteis no futuro, incluindo o uso de tecnologia para o trabalho, trabalhando mais na “gig economy" (trabalhos temporários, como autônomos e freelancers) quando possível. E eles ainda têm muitos anos pela frente para compensar qualquer terreno perdido.

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