Caike Maciel
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Recolocação no mercado de trabalho: especialista tira dúvidas

Headhunter, especialista em recolocação e Top Voice LinkedIn, Carolina Martins dá dicas sobre currículo, carreira após os 50 anos e outras; perguntas foram feitas por participantes do grupo Sua Carreira no Telegram

Marina Dayrell, O Estado de S.Paulo

25 de janeiro de 2021 | 15h00

Na hora de buscar uma recolocação no mercado de trabalho pode ser difícil saber por onde começar. Posso mandar currículo para todas as empresas? Como organizar e atualizar o perfil no LinkedIn? Quais são os primeiros passos para quem está começando? E para os profissionais 50+, como voltar para o mercado após os 50 anos de idade?

Para responder a essas e outras dúvidas sobre o tema da recolocação profissional, o grupo do Sua Carreira no Telegram recebeu nesta segunda-feira, 25, a especialista em recolocação, headhunter e Top Voice LinkedIn 2020 Carolina Martins. 

Para participar dos próximos bate-papos, receber notícias atualizadas e debater assuntos relacionados ao mercado de trabalho, basta entrar para o grupo no Telegram, pelo link ou digitando @gruposuacarreira na barra de pesquisa do aplicativo.

A equipe do Sua Carreira selecionou 10 perguntas enviadas pelos participantes, considerando o tema e as dúvidas em comum entre o maior número de pessoas. Confira a seguir o bate-papo:

Vídeos de curta duração para o LinkedIn são válidos? Você pode dar dicas em relação a tempo de duração, formato, conteúdo etc.?

Carolina Martins: Os vídeos têm tido uma distribuição muito boa no LinkedIn, principalmente depois que a plataforma inseriu os stories. No geral, vídeos que performam melhor são os de cinco minutos ou menos.

O conteúdo varia bastante, mas o ideal é usar o espaço para falar sobre sua área de atuação, seja explorando problemas do dia a dia ou novas tecnologias, ferramentas e assuntos que reforcem a sua autoridade como profissional da área.

Existe alguma técnica para preencher o LinkedIn para que o perfil fique mais relevante para os headhunters? A capa do LinkedIn faz diferença? Devemos alimentar a rede diariamente?

A melhor técnica de preenchimento é usar boas palavras-chave no perfil, pois é através delas que os recrutadores encontram os candidatos. 

A foto do perfil faz mais diferença do que a capa. A capa tem um papel mais estético do que funcional, mas é bacana usar uma foto de capa relacionada a sua área de atuação ou objetivo profissional.

Quanto mais movimento tiver no seu perfil, mais resultados ele terá. Por isso é fundamental o acesso diário, a produção de conteúdo, o relacionamento com os contatos e a interação nas postagens.

O que os profissionais 50+ devem fazer para tentar se inserir no mercado de trabalho novamente? Só nos resta o empreendedorismo?

As duas pontas da carreira são as que mais têm enfrentado dificuldades no mercado atual. Profissionais juniores e profissionais mais seniores tendem a encontrar mais resistência nos processos seletivos.

O ideal é manter-se atualizado. Estar fora do mercado não precisa ser sinônimo de estagnação profissional. Envolver-se em eventos do seu setor, participar de palestras e fazer cursos é uma forma de manter-se em movimento.

Para isso você não precisa fazer investimentos financeiros se não puder. Em todas as áreas de atuação existe uma gama de conteúdos de aperfeiçoamento gratuito na internet, basta saber onde buscar.

É importante também manter um perfil assertivo e ativo no LinkedIn. Não basta apenas ter uma conta, você precisa extrair o máximo dessa rede, que é a maior rede profissional do mundo. Neste mês eu contratei três profissionais com mais de 50 anos para empresas onde eu presto consultorias. Todos eles foram encontrados pelo LinkedIn.

Como explicar que, apesar de ter tido um cargo sênior no meu último trabalho, eu aceito ser pleno agora? 

Com a alta taxa de desemprego é natural que os profissionais estejam dispostos a assumir cargos inferiores para conseguir se reinserir no mercado. O que precisa ficar claro para o recrutador é que você já se organizou para esse momento. Na entrevista o ideal é mostrar que você está financeiramente preparado para a redução de salário e que sua experiência anterior te ajudará muito na qualidade das entregas. O importante é responder as perguntas com segurança.

Em relação às pessoas acima de 40 anos, o que as empresas buscam em termos de soft e hard skills? Em caso de alguma carência, principalmente em hard skills ligadas à digitalização, onde me capacitar?

As exigências de soft e hard skills mudam de acordo com o cargo e com a empresa, e não de acordo com a idade. Para o cargo de gerência, por exemplo, é fundamental a liderança. Já para o cargo de analista de BI, é importante domínio de Power BI.

Em primeiro lugar, você precisa entender quais são as competências exigidas na sua área de atuação. Muitas vezes o que o profissional acha que é importante não é o que o mercado demanda.

Quando não existe uma oferta de trabalho, mas há vontade do profissional em fazer parte da empresa, vale enviar um e-mail para uma eventual contratação? Qual deve ser o teor da mensagem?

Dificilmente um currículo enviado sem que haja um processo seletivo compatível em andamento é aproveitado pelo recrutador. Mais assertivo do que tentar a sorte disparando currículos aleatoriamente é se cadastrar no “Trabalhe conosco” das empresas em que você deseja trabalhar. Muita gente negligencia essa estratégia de recolocação, mas as empresas usam bastante o banco de dados extraídos do “Trabalhe conosco”.

Como começar o processo para buscar emprego após a faculdade? Como me preparar para um processo de trainee?

Para começar é importante entender que o primeiro emprego pode não ser aquele com que você sonhou. É natural receber um salário menor quando não se tem experiência na área de atuação.

Mirar vagas de auxiliar e assistente é uma estratégia bem assertiva, pois são vagas que exigem um nível de maturidade profissional menor, porém são vagas que têm salários mais baixos.

O processo de trainee é bem complexo e, muitas vezes, cansativo pela quantidade de fases. O ideal é não se inscrever em muitos para você conseguir se preparar para cada uma das fases. Procure se inscrever em processos de empresas com que você tenha afinidade, pois nesse tipo de processo seletivo o propósito do candidato conta muito.

Tento várias vagas e, mesmo tendo experiência e pós-graduação, sinto que não consigo avançar para entrevista ou classificação. Como identificar o que está faltando?

Provavelmente, o problema deve estar no seu currículo. É muito comum bons candidatos não serem aprovados na triagem por conta da falta ou de excesso de informações no currículo.

Pense que o recrutador não o conhece e que a única informação que ele tem sobre você é o que está escrito no seu currículo. Você pode ser 100% compatível com a vaga, mas, se o seu currículo não refletir isso, você não será classificado para a próxima etapa.

O currículo é a primeira fase do processo seletivo e a fase que mais reprova, por isso é fundamental ter um arquivo bem construído, com boas palavras-chave e que reflita o seu perfil profissional.

Atualmente, como escolher para qual lado eu me reciclo? Parece que todo dia tem uma “bola da vez”. Pós? MBA? O que é necessário para ter uma boa recolocação?

O que é necessário para ter uma boa recolocação é ter uma boa estratégia. Em primeiro lugar, você precisa ter um objetivo claro para nortear seus próximos passos. É impossível ditar especializações sem conhecer os objetivos profissionais, pois não existe uma fórmula que se aplique a todos.

Sabendo o que você busca comece a pesquisar o mercado e os profissionais, dessa forma você entenderá o que é demandado e assim conseguirá escolher o que estudar com mais assertividade.

Investir tempo e dinheiro em um novo curso pelo fato de estar há muito tempo em uma mesma posição não é estratégico. Você precisa saber que posição quer assumir a partir de agora e o que o mercado procura nesses profissionais para tomar uma boa decisão.

Quais são as soft skills mais demandadas neste momento de revolução 4.0 e pandemia e como desenvolvê-las?

Cada área de atuação dita quais são as competências mais importantes, porém todos os anos o Fórum Econômico Mundial divulga o relatório The Future of Jobs, que traz as tendências do mercado de trabalho globalmente. 

    De acordo com o relatório as competências mais valiosas são:

    Pensamento analítico e inovação;

    Aprendizagem ativa e estratégias de aprendizagem;

    Criatividade, originalidade e iniciativa;

    Design e Programação de Tecnologia;

    Pensamento crítico e analítico;

    Solução de problemas complexos;

    Liderança e influência social;

    Inteligência emocional;

    Raciocínio, resolução de problemas e ideação ;

    Análise e avaliação de sistemas.

     

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