Salários crescem em ritmo mais alto em países emergentes, mostra pesquisa

Profissionais de nível técnico ganham menos no Brasil e China do que em países desenvolvidos, mas diferença diminui nos cargos de liderança

Mariana Congo, Economia & Negócios

12 de fevereiro de 2014 | 09h54

SÃO PAULO - O contraste entre o salário de um profissional de nível técnico e o de um executivo é mais forte no Brasil e na China do que em nações desenvolvidas. Por outro lado, apesar dos técnicos começarem a carreira ganhando menos, as promoções são mais gordas nos países emergentes ao ponto de a remuneração dos cargos de liderança se equiparar a de países desenvolvidos. Uma pesquisa do Hay Group, consultoria global de gestão de negócios, mostra que o aumento salarial médio para uma promoção de um nível no Brasil é de 27%, enquanto no Reino Unido o aumento médio é de 15% (veja mais dados no gráfico).

No Brasil a diferença entre a remuneração anual de um profissional de nível técnico ou operacional e de um líder chega a 10 vezes segundo esse levantamento de dados. Na China, 19 vezes. Por outro lado, no Reino Unido o executivo ganha em média quatro vezes mais que o técnico. Na Suécia a diferença é ainda menor: três vezes.

Existem fatores culturais, educacionais e tecnológicos por trás dessas discrepâncias salariais, de acordo com Carlos Siqueira, diretor e líder da área de remuneração para América Latina do Hay Group. "Em economias mais maduras os processos de trabalho são mais automatizados. Assim, temos menos pessoas atuando no nível técnico, mas elas são, por outro lado, mais qualificadas", diz Siqueira. Isso reflete, segundo ele, nas diferenças de remuneração e produtividade. "Na China, a mão de obra barata ainda é abundante e mais pessoas fazem uma mesma atividade que em outros países pode ser desempenhada por menos profissionais", exemplifica.

Para os cargos de liderança, a diferença de remuneração entre países emergentes e economias maduras é menor. Segundo a pesquisa, isso é consequência e um mercado cada vez mais globalizado em posições seniores, que leva à "exportação" de executivos. "Brasil e China ainda têm escassez de formação de mão de obra de nível de liderança", diz Siqueira.

Esse quadro, segundo o Hay Group, representa um desafio para empresas globais, que precisam adaptar seus planos de remuneração às realidades locais ao mesmo tempo em que necessitam ter uma política de salários única e coerente.

O levantamento de dados foi feito a partir do PayNet, banco que reúne dados de mais de 15 milhões de profissionais em 22 mil organizações em mais de 100 países.

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