Sucesso de tablets aquece mercado de aplicativos

Com vendas em alta, aparelhos atraem pequenas empresas interessadas em colocar no aparelho conteúdo que antes o cliente só podia ter em papel

Ligia Aguilhar, especial para O Estado de S. Paulo,

18 de maio de 2011 | 14h49

A abertura de uma fábrica de iPad no Brasil, prevista para ocorrer provavelmente em julho, deve não só popularizar o aparelho como abrir novas oportunidades de negócios na área de tecnologia. Assim como os smartphones, os tablets oferecem um mercado em expansão para desenvolvedores de aplicativos. A diferença é que, por serem maiores do que os celulares e conservarem a mobilidade, eles estão aptos para substituir cardápios, catálogos, livros ou apostilas.

Na mão. Medeiros deverá atender 150 empresas com sistema de cardápio para iPad (Foto: JF Diorio/AE)

 

Produzir aplicativos para tablets é tão simples quanto fazê-lo para smartphones. É preciso escolher o aparelho, baixar o kit para desenvolvimento no site do fabricante e enviar o programa para análise.

Se aprovado, o aplicativo é oferecido para download, que pode ser pago - com lucro dividido entre fabricante e o desenvolvedor - ou gratuito.

Foi dessa forma que Breno Masi e outros cinco amigos lançaram, em 2008, o primeiro aplicativo brasileiro para smartphone da App Store (loja da Apple), um jogo da velha. Assim nasceu a Finger Tips, que hoje desenvolve soluções de tecnologia móvel sob medida para empresas. "A chegada dos tablets (como são conhecidos os iPads e seus semelhantes) aqueceu ainda mais um mercado já em alta", diz Masi, diretor de marketing e produtos da empresa.

Atualmente, 50% da produção da Finger Tips é para tablets. Entre os projetos, estão catálogos de produtos para construtoras, imobiliárias e montadoras e uma ferramenta que facilita a publicação de conteúdo de revistas e jornais na internet. "A venda de tablets vai explodir no segundo semestre. Todo mundo vai precisar de um, cada pessoa por um motivo diferente."

Em novembro de 2010, o Bar Brahma substituiu parte dos seus cardápios por iPads. O sistema, desenvolvido pela Isis Colibri, chamou tanto a atenção que a empresa deve atender outros 150 estabelecimentos até o fim do ano. "Os cardápios de papel precisam ser substituídos a cada 20 dias, porque sujam, rasgam e ficam desatualizados", explica o presidente da empresa, Maurício Medeiros. "No aplicativo é possível fazer alterações em minutos, agilizar o atendimento, exibir diversas fotos de um mesmo prato e, assim, aumentar as vendas", diz.

Na Affero, empresa especializada em soluções para a plataforma mobile, os aplicativos para tablets correspondem a 5% do faturamento - que em 2010 foi de R$ 30 milhões -, mas a expectativa é que essa parcela triplique em dois anos.

Um dos primeiros sistemas desenvolvidos pela empresa foi um e-book com sistema de leitura colaborativa, que permite compartilhar trechos de livros nas mídias sociais. "Esse mercado deve crescer muito e gerar oportunidades para quem é especializado na área", diz o sócio-diretor da empresa, Daniel Orlean.

Mercado. Uma pesquisa sobre oportunidades de negócio para novas plataformas - feita em outubro do ano passado nos Estados Unidos pela consultoria Nielsen _, mostra que os usuários de iPad - 65% deles são homens com idade entre 16 e 35 anos - têm interesse em consumir games, livros e revistas digitais e vídeos, nessa ordem.

Segundo o diretor de Telecom da Nielsen Brasil, Thiago Moreira, as oportunidades estão no desenvolvimento de aplicativos patrocinados. "Há muitas opções de negócio usando tablets como ferramenta, no desenvolvimento de jogos, aplicativos de entretimento e tudo que ajude o usuário a organizar melhor o tempo", afirma.

Para que um aplicativo se destaque em meio a tantos, Moreira recomenda que a ferramenta seja gratuita e tenha conteúdo útil e relevante. Nesses casos, o produto pode ser vendido a uma empresa, que o disponibiliza de graça a usuários.

Masi, da Finger Tips, acrescenta que a interface precisa ser intuitiva. "O segredo é o design e a usabilidade", diz.

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