Tecnologia ‘rouba’ cada vez mais empregos

Estudo de professores do MIT mostra que muitos trabalhadores estão perdendo a corrida contra as máquinas

The New York Times,

27 de outubro de 2011 | 00h03

A crise econômica explica em grande parte a escassez de empregos nos EUA, mas a tecnologia cada vez mais avançada amplificou dramaticamente o impacto, mais do que é possível perceber, segundo dois pesquisadores do Massachusetts Institute of Technology (MIT).

A crescente automação do trabalho outrora realizado por seres humanos é o tema central do livro eletrônico Race Against the Machine. "Em poucas palavras, muitos trabalhadores estão perdendo a corrida contra a máquina", afirmam os autores.

Os autores, Erik Brynjolfsson, economista e diretor do Centro de Negócios Digitais do MIT, e Andrew P. McAfee, diretor associado e chefe da equipe de cientistas do centro dedicados à pesquisa, são dois dos principais especialistas da nação em tecnologia e produtividade. O tom de alarme é o ponto de partida para os dois cientistas, cuja pesquisa anterior se concentrava principalmente nos benefícios da tecnologia avançada.

Na realidade, originalmente eles pretendiam escrever um livro intitulado The Digital Frontier, sobre a "cornucópia de inovações que estão ocorrendo", disse McAfee. Mas, como a situação do desemprego não melhorou nos dois últimos anos, os autores mudaram seu objetivo e resolveram examinar o papel da tecnologia na melhoria da situação dos desempregados.

Novas funções

Eles não são os únicos a destacar, nos últimos tempos, o desaparecimento do emprego por causa da tecnologia. Na edição atual do McKinsey Quarterly, W. Brian Arthur, professor convidado no Santa Fé Institute no Novo México, adverte que a tecnologia está rapidamente assumindo funções no setor de serviços, depois da onda de automação no trabalho agrícola e industrial. "Esse último repositório de empregos está encolhendo - no futuro, será muito menor o número de funcionários de nível executivo que desempenharão funções nas empresas - e aí está o problema", escreve Arthur.

A tecnologia sempre roubou trabalho e empregos. Ao longo dos anos, muitos especialistas advertiram - equivocadamente - que as máquinas estavam deixando os seres humanos para trás. Em 1930, o economista John Maynard Keynes alertou a respeito de uma "nova doença", que ele chamou de "desemprego tecnológico".

Mas Brynjolfsson e McAfee argumentam que o ritmo da automação acelerou nos últimos anos por uma combinação de várias tecnologias, como a robótica, máquinas controladas numericamente, reconhecimento de voz e comércio online. (Steve Lohr)

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