Terceira idade chega ao pleno emprego

Taxa de desocupados na faixa etária acima de 50 anos ficou em 2,2% em setembro 

Lilian Primi, de O Estado de S.Paulo,

26 de outubro de 2010 | 14h26

Os bons ventos que agitam o mercado de trabalho sopraram para longe o estigma do desemprego, que historicamente acompanha trabalhadores com idade acima de 50 anos. A taxa de desocupação nessa faixa de idade ficou em 2,2% em setembro, segundo a Pesquisa Mensal do Emprego (PME), divulgada na última semana pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o que indica o confortável cenário de pleno emprego.

A definição de pleno emprego pode variar de um país para outro, mas a Organização Mundial do Trabalho (OIT) considera que ela se estabelece quando as taxas de desocupados ficam abaixo de 3%, índice registrado nos países desenvolvidos no pós-guerra. Por esse critério, o mercado de trabalho para a terceira idade experimenta tal status desde setembro de 2009.

"Significa que os 2,2% de trabalhadores sem ocupação estão em transição entre um emprego e outro", diz o diretor adjunto do Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho (Cesit) da Universidade de Campinas (Unicamp), Anselmo Santos. A pedido do Estado, o Cesit investigou em quais ocupações essa população cresceu mais, utilizando a base de dados da Relação Anual de Informações Sociais (Rais), e como está o saldo entre demitidos e contratados, também por ocupação, nos dados reunidos pelo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged).

As duas pesquisas trazem informações a respeito do trabalho formal: o Caged informa o movimento ocorrido a cada mês e a Rais, o estoque anual de empregados .

"O resultado é interessante: o estoque (número) de trabalhadores com 50 anos ou mais aumentou em quase 400 mil postos entre 2008 e 2009, mas o saldo, indicado pelo Caged, é negativo em mais de 53 mil postos. É a única faixa em que isso ocorre", diz.

O pesquisador explica que esse resultado é reflexo do envelhecimento da população. "A terceira idade passou a ter peso maior na estrutura do mercado de trabalho e isso aumenta o impacto dos que passaram de 49 anos para 50 anos entre os dois anos." Além disso, a falta de profissionais capacitados faz com que as pessoas permaneçam empregadas por mais tempo.

O saldo geral do Caged mostra que o emprego formal cresceu em 2,27 milhões de vagas em todo o País de janeiro até setembro.

Ocupações. O ranking das ocupações que mais empregaram a terceira idade neste ano tem dirigentes públicos em primeiro lugar (66.347), seguido por professores do ensino fundamental (66.315) e construção civil (36.411). O setor da construção, aliás, é um dos que apresentam saldo positivo para essa faixa da população (de mais de 21 mil postos). Ou seja, houve abertura de vagas para pessoas com mais de 50 anos.

Já entre os professores do ensino fundamental, as demissões superam as contratações em 1.537 vagas. "Isso nada tem a ver com piora do emprego. Dos 53.482 trabalhadores com 50 anos ou mais demitidos em todas as ocupações, 26.487 se desligaram por aposentadoria ou morte. Não ficaram desempregados", explica Santos. Além da construção, foram abertas novas vagas para a terceira idade entre motoristas e nos setores de alimentação e de serviços domésticos. Os estados do Piauí, Roraima e Ceará também abriram novas vagas para quem tem 50 anos ou mais.

Os novos postos para essa faixa etária surgem na esteira do crescimento econômico e, tanto o setor em que elas são abertas, quanto a região do País em que acontece, reflete isso. "O trabalho na construção bate recordes e o Nordeste experimenta um forte crescimento econômico. Isso favorece o emprego em todas as faixas de idade", diz Santos.

A grande variação no setor público se dá porque, segundo o pesquisador, existe mais estabilidade nesse setor. "A tendência é que o número de trabalhadores acima de 50 anos continue crescendo nos próximos anos."

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