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Paulo Liebert/AE
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Trabalho em casa tem glamour e rotinas

São cerca de 58 milhões de pessoas no mundo que usam o lar para sua atividade profissional. Mas é preciso ter disciplina e concentração

Leandro Quintanilha, de O Estado de S. Paulo,

20 de setembro de 2011 | 13h52

O home office sempre existiu. Basta lembrar do trabalho de grandes gênios da literatura e das artes plásticas, produzidos em quartos, porões e, quando muito, ateliês domésticos. No entanto, ainda que remonte ao passado, a opção por trabalhar em casa é hoje um exercício de contemporaneidade. Porque, assim, você gasta menos combustível e libera o trânsito do seu carro. Só para começar.

Um levantamento feito pelo Ibope em 2008 indicava que 63% dos paulistanos gastam até três horas em deslocamentos urbanos. Esse é apenas um dos dados sobre o assunto publicados no livro ‘As 100 Dicas do Home Office’, um guia para quem deseja montar e manter um escritório em casa, escrito pela jornalista Marina Sell Brik com o marido, o publicitário André Brik.

Em 1980, Alvin Toffler já profetizava em seu best seller ‘A Terceira Onda’ que a tecnologia permitiria às pessoas voltar a trabalhar em casa. Com o fim da era industrial e o início da era da informação, da valorização dos serviços, da criatividade e da produtividade (que alguns chamam de quarta onda), o home office virou tendência.

O trabalho em casa já e realidade para 58 milhões no mundo, segundo uma estimativa da Internacional Data Corporation (IDC). No Brasil, seriam mais 4,5 milhões, com uma taxa de crescimento de 10% por ano, de acorod com a Sociedade Brasileira de Trabalho (SBT).

"Via de regra, as três competências essenciais para trabalhar de casa são: disciplina, concentração, organização", escreve o casal Brik, que trabalha em casa

A transição da vida corporativa para o home office pode ocorrer por duas vias: chegar a um acordo com o chefe ou pedir demissão e seguir como autônomo. Mas, antes de começar, é importante se munir de boas informações.

O Serviço de Apoio Brasileiro às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) é uma ótima fonte. Porque formalizar uma empresa tem os seus custos (de abertura, impostos etc.), mas também representa um ganho em credibilidade e respeito. Respeito próprio, inclusive.

"Há muitas questões a se considerar", afirma Reinaldo Messias, consultor do Sebrae. Da formalização da empresa (e sua consequente classificação tributária) à aquisição de uma linha telefônica exclusiva para o trabalho, ilustra. "É fundamental separar o ambiente privado, familiar, do comercial", ressalta.

Paciência. Também é preciso ter em mente que as coisas demoram para engrenar. Mesmo os melhores negócios levam algum tempo até render frutos. Isto é, lucratividade. Nisso, uma experiência prévia em uma empresa externa pode ajudar.

Como argumenta o casal Brik, quem já passou pelo mundo corporativo sabe como lidar com o mercado, traz o know-how da sua atividade e os processos do funcionamento de uma empresa, aprende a conviver e se relacionar com os outros e consegue valorizar ainda mais - por comparação - as vantagens de se trabalhar em casa.

Depois de concluir um mestrado em Harvard no ano passado, o empresário Henrique Flory decidiu adaptar sua editora ao sistema de home office.

A sede no bairro da Bela Vista, em São Paulo, foi trocada por um espaço menor e mais flexível na região da Paulista e a maioria de seus funcionários, assim como o próprio Flory, trabalha de casa. "Eu queria experimentar uma vida sem papel", diz.

Eles se comunicam por e-mail, teleconferência e, eventualmente, também em reuniões presenciais. E, dessa forma, todos se tornaram mais produtivos e ainda ganharam em qualidade de vida. "Estamos 15 dias à frente no nosso cronograma de projetos editoriais", afirma Flory.

A corretora de seguros Patrícia Geiger deixou um emprego estável em um órgão público para assumir a sociedade que até então mantinha somente no papel com o marido. "Não foi por falta de alternativas, foi uma opção." Para que pudesse ter mais qualidade de vida e mais tempo com os filhos.

"O home office é a alternativa ideal para quem é mãe", avalia a corretora. Patrícia tem dois filhos: uma garota de 10 anos e um menino de 3. Mas essa proximidade também é um risco. "Criança não entende que às vezes você está presente, mas não está disponível." E também, claro, eles querem usar o computador. São concorrentes.

Como o negócio é próprio, Patrícia e o marido (ele se dedica mais às atividades externas) usufruem da flexibilidade do home office pessoal e profissionalmente. "Vale tanto levar um filho ao médico no meio da tarde, como atender um cliente à noite ou no fim de semana", diz. Seu desafio é mimar os clientes, mas não as crianças.

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