Trazer os pais ao ambiente de trabalho supera diferenças

Trazer os pais ao ambiente de trabalho supera diferenças

LinkedIn promove iniciativa para funcionários em seu escritório na Califórnia e permite troca de experiências entre gerações

Michael Liedtke, Associated Press

07 de novembro de 2014 | 12h49

CALIFÓRNIA - Seta Whitford-Stark ficou surpresa no ano passado ao saber que a filha, Amy, tinha deixado o emprego numa agência de recrutamento de funcionários para trabalhar para o LinkedIn, uma empresa da internet a respeito da qual Seta nunca tinha ouvido falar. Amy tentou explicar a atividade do serviço de rede profissional online, mas Seta não conseguia compreender exatamente por que uma jovem de 29 anos optaria por trabalhar lá. "Meu Deus, no que foi que ela se meteu?", Seta, 73 anos, costumava murmurar para si.

Então, Seta teve a oportunidade de observar Amy e as colegas em ação no escritório do LinkedIn em Nova York, podendo compreender melhor a carreira da filha. Ela voltou ao escritório para a segunda edição do "Dia de trazer os pais ao trabalho", que reuniu milhares de pais e mães em diferentes empresas de todo o mundo num evento que proporciona aos filhos adultos uma rara oportunidade de mostrar as mudanças culturais e tecnológicas que transformaram o ambiente de trabalho moderno.

Concebida pelo LinkedIn no ano passado, agora mais de 50 empresas e outras organizações de 16 países estão adotando essa nova versão das iniciativas que incentivavam os adultos a levar os filhos para o trabalho, pensadas algumas décadas atrás. As empresas percebem que alguns pais - talvez aqueles que tenham tentado levar os filhos ao trabalho no passado para mostrar o que faziam - podem se sentir confusos em relação ao que fazem seus filhos hoje, já adultos.

"Ao ouvir a ideia, a reação da maioria das pessoas é, 'Sério, trazer os pais para o trabalho? Será que devemos fazer esse tipo de coisa?'", diz o diretor executivo do LinkedIn, Jeff Weiner. Mas ele diz que faz sentido, "basta fazer uma vez e perceber como é importante. É algo que ajuda todos a falarem um mesmo idioma em termos do funcionamento atual do mundo". 

Margie Sisk, especialista em recursos humanos num parque de diversões, lembra do dia em que trouxe a filha, Riley, ao trabalho, como parte de uma iniciativa do tipo "Traga os filhos ao trabalho". Ela nunca imaginou que os papéis um dia se inverteriam. Riley, hoje diretora de recrutamento do LinkedIn, celebrou seu aniversário de 24 anos trazendo a mãe e o pai, Jon Sisk, ao escritório central do LinkedIn em Mountain View, Califórnia.

"É um sinal dos tempos, do quanto as coisas mudaram", diz Margie, 50 anos. "Jamais poderíamos levar os pais ao trabalho. Tudo aqui é tão incrível que agora estou pensando em como fazer para conseguir um emprego nessa empresa." O diretor executivo da Leo Burnett North America, Rich Stoddart, calcula que muitos dos cerca de 200 pais e mães que virão ao evento da agência de publicidade em Chicago ficarão surpresos com aquilo que vão ver e ouvir. 

Ele tem certeza que os pais passarão a ver a agência com outros olhos, especialmente no caso daqueles para quem a imagem da profissão foi moldada pela série Mad Men, situada nos anos 1960, ou pelo filme O Homem do Terno Cinzento. "Eles vão colidir com uma força de trabalho criativa, formada por jovens de vinte e poucos anos que andam por aí de jeans e camiseta", diz Stoddart, que trouxe a mãe, de 77 anos, de Cleveland para participar do evento. 

A agenda inclui aulas de como usar o Twitter, amostras de campanhas anteriores e futuras, e música ao vivo pela banda Bassel and the Supernaturals, um dos grupos que a agência trouxe nos nove anos mais recentes para tornar o trabalho mais divertido.

Bill Fernandez, que passou 40 anos trabalhando na indústria automobilística, pensou estar no endereço errado quando chegou com a mulher, Hazel, ao escritório central do LinkedIn para serem recebidos por sua filha, Robyn, consultora de produtos a serviço da empresa.

"Vimos um sujeito andando por aí de bermuda", disse Fernandez, 72 anos, impressionado. "Ele parecia pronto para um dia no parque, e não um dia no escritório." Joe Hirz, 65 anos, ficou positivamente surpreso com a liberdade que os funcionários do LinkedIn pareciam desfrutar enquanto acompanhava a filha, Jill Hirz-Jones, durante a edição inaugural do evento no ano passado. 

Foram notáveis as diferenças em relação à experiência dele de 45 anos como mecânico de automóveis, emprego no qual ele tinha que informar sua localização e atividade praticamente em todos os momentos do turno.

A possibilidade de conhecer por dentro o LinkedIn também deu a Joe, que não tinha TV em casa até os 10 anos, um entendimento melhor de como a tecnologia mudou a maneira de procurar emprego hoje em dia. Mais de 332 milhões de pessoas criaram perfis nas páginas do LinkedIn, onde compartilham as conquistas de suas carreiras, transformando o serviço numa maneira popular de conectar empregadores e profissionais talentosos.

"Na minha época, ficávamos sabendo das vagas de emprego por amigos ou nos classificados dos jornais", diz Joe. "Agora parece que podemos obter informações quase imediatamente usando o celular, podendo assim encontrar um emprego em qualquer lugar do mundo." 

Jill, 29, diz que ficou muito mais fácil falar sobre o trabalho com o pai depois que a visita no ano passado deu a ele um entendimento da função dela no departamento de comunicação corporativa. "Para ele, que trabalhou numa garagem, comunicação significava gritar bem alto para que todos pudessem ouvi-lo", diz a filha. "Agora é mais fácil de ele entender quando digo que tenho um desafio em nossa equipe de comunicação."

(Tradução de Augusto Calil)

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