‘Vamos necessitar de talentos na área esportiva’

Copa e Olimpíadas vão demandar profissionais com conhecimento nesse ramo e também em infraestrutura 

Clara Massote , de O Estado de S. Paulo,

18 de janeiro de 2011 | 17h29

O Brasil tem cerca de oito mil quilômetros de costa, diversos portos por onde turistas e mercadorias chegam ao País anualmente, um mercado petrolífero promissor - e nenhum especialista em direito marítimo. Quem afirma é o advogado Sólon Cunha , do escritório Machado Meyer. "Quando há um imbróglio relativo à essa questão, o Itamaraty elege o foro de Nova York para analisar a cláusula", diz.

De acordo com Cunha, este é apenas um dos desafios da advocacia brasileira, que também vai exigir profissionais qualificados em um futuro não distante.

Além dos desafios em mar, há outros em terra. Debaixo dela, mais especificamente. "Não há especialistas em direito mineral no País. Isso precisa mudar, uma vez que o Brasil é um dos maiores exportadores de minério de ferro e outras matérias-primas semelhantes do mundo. Vendemos nossas mineradoras para grupos estrangeiros, fazemos fusões e permitimos que eles explorem nosso solo, tudo sem um advogado especializado."

Jogada. Mas a aposta mais iminente do advogado é mesmo as competições esportivas que o País vai sediar em breve: a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016. "Vamos precisar de talentos nessa área, tanto no direito esportivo propriamente dito quanto no que se refere à infraestrutura, como questões relacionadas a aeroportos, estádios, seguradoras e o setor hoteleiro." Para se preparar, o próprio escritório já enviou um advogado para um curso oferecido pela Federação Internacional de Futebol (FIFA).

Oriente. Outra iniciativa do Machado Meyer foi criar a China Desk, uma consultoria sobre a cultura e a maneira de trabalho de um dos países mais expressivos do mundo. "Já temos clientes chineses, mas a ideia do China Desk é aprofundar os advogados nos costumes e negócios de lá, um empreendimento estratégico a longo e médio prazo."

Advogados de vários setores participam do projeto, que já promoveu quatro viagens à China, em experiências de imersão.

"Fizemos uma parceria com um banco chinês e temos um consultor ‘made in China’ para nos assessorar", garante.  

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.