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É o desemprego, Dilma!

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É o desemprego, Dilma!

Planalto e petistas temem que desemprego supere 10% até março, no momento em que o governo luta para barrar impeachment. Até a Selic vira alvo para atingir o objetivo

Ricardo Brito e Adriana Fernandes

15 Janeiro 2016 | 20h24

Paulo Pimenta (Divulgação)

Paulo Pimenta (Divulgação)

Horas após o IBGE ter divulgado que a Pnad Contínua apontou uma taxa de desemprego de 9% no trimestre até outubro de 2015, a presidente Dilma Rousseff afirmou que a taxa de desemprego é a “grande preocupação” do governo. “Achamos que algumas medidas são urgentes”, disse Dilma, em café da manhã com jornalistas nesta sexta-feira (15).

Desde o ano passado, o Palácio do Planalto e petistas no Congresso temiam o aumento do número de pessoas fora do mercado de trabalho. Este ano haverá eleições municipais e são nas 5,5 mil cidades brasileiras em que os efeitos do desemprego são sentidos na pele. Isso pode ser fatal para o PT em termos eleitorais.

O maior medo é de o indicador superar 10% no primeiro semestre, num delicado momento em que o governo luta para barrar um processo de impeachment no Congresso Nacional. Por ora não há ninguém na rua protestando por empregos, mas quem garante o futuro?

A taxa de desocupação preocupa mais do que a queda do Produto Interno Bruto (PIB), o aumento da inflação em 2015, o cumprimento da meta fiscal deste ano ou até a eventual elevação da Selic (atualmente em 14,25% ao ano).

Sobre esse último ponto, há uma forte pressão do PT e de aliados do governo nos sindicatos para manter inalterada a taxa básica de juros da economia na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) da próxima semana. A avaliação é que um aumento da Selic só vai piorar o quadro.

Um aumento de juros para segurar a demanda e a inflação terá o desemprego como consequência natural, na avaliação do líder do governo na Comissão Mista de Orçamento (CMO), deputado Paulo Pimenta (PT-RS), cotado para assumir a liderança petista na Câmara em 2016.

Pimenta cita, em tom de crítica, que mesmo com o aumento da Selic em cinco das oito reuniões do Copom no ano passado, o IPCA em 2015 fechou o ano em 10,67% e o desemprego só subiu.

O petista diz que não se pode esquecer os parâmetros sociais. É o dilema por que Dilma passa – e que pode estar em jogo o mandato dela.

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