Nilton Fukuda/Estadão
Nilton Fukuda/Estadão

Desemprego recua para 12,4% em setembro puxado principalmente pela informalidade

No trimestre de julho a setembro de 2017, havia 12,9 milhões de pessoas desocupadas no Brasil, segundo o IBGE; para pesquisador do instituto, aumento de postos sem carteira assinada é preocupante

Daniela Amorim, O Estado de S.Paulo

31 Outubro 2017 | 09h05

Com 12,9 milhões de desocupados no Brasil, a taxa de desemprego apurada pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) encerrou o período de julho a setembro de 2017 em 12,4%, segundo o Instituto Nacional de Geografia e Estatística (IBGE). Trata-se de um recuo de 0,6 ponto porcentual em relação ao trimestre de abril a junho (13,0%) e da menor taxa desde o quarto trimestre de 2016, quando estava em 12,0%.

O País ganhou 1,061 milhão de postos de trabalho em um trimestre, ao mesmo tempo em que 524 mil pessoas deixaram o contingente de desempregados. Apesar da melhora recente, ainda havia 12,961 milhões de pessoas em busca de emprego no terceiro trimestre, segundo o IBGE.

 

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Apesar de o aumento na população ocupada ser positivo, a perda de postos com carteira assinada no setor privado preocupa, avaliou Cimar Azeredo, coordenador de Trabalho e Rendimento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

"A ocupação cresceu, isso é positivo e fez essa taxa de desocupação cair. Mas quem está crescendo? O emprego sem carteira e conta própria, que são marcados pela informalidade", ressaltou Azeredo.

No terceiro trimestre, o total de trabalhadores com carteira assinada no setor privado atingiu o menor patamar da série histórica da Pnad Contínua, iniciada em 2012: 33,300 milhões de vagas formais. "O mercado de trabalho perdeu 3,4 milhões de postos com carteira assinada em três anos. A Pnad Contínua está mostrando um aumento da informalidade. Tem ponto favorável, que é o crescimento da população ocupada e o aumento da massa de rendimento. Mas tem mais informalidade crescendo, e você não vê reação alguma do indicador de carteira de trabalho assinada", afirmou Azeredo.

Para os próximos meses, a expectativa é que a taxa de desemprego volte a cair, em função da contratação de funcionários temporários para as festas de fim de ano, disse Azeredo. Quanto ao impacto da reforma trabalhista, que entra em vigor em novembro, o pesquisador afirmou que o IBGE ainda está avaliando as novas regras, para depois determinar se será necessário fazer alguma alteração na Pnad Contínua. "Tem que esperar a entrada em vigor da reforma para ver que efeito terá nesse mercado de trabalho."

Ocupação. O resultado significa que há mais 939 mil desempregados em relação a um ano antes, o equivalente a um aumento de 7,8%. Por outro lado, o total de ocupados cresceu 1,6% no período de um ano, o equivalente à criação de 1,462 milhão de postos de trabalho. Como consequência, a taxa de desemprego passou de 11,8% no terceiro trimestre de 2016 para 12,4% no terceiro trimestre de 2017.

Em setembro, o País tinha 179 mil brasileiros a menos na inatividade, em relação ao patamar de um ano antes. O recuo na população que está fora da força de trabalho foi de 0,3% no terceiro trimestre em relação ao mesmo período de 2016.

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O nível da ocupação, que mede o porcentual de pessoas ocupadas na população em idade de trabalhar, foi estimado em 54,1% no terceiro trimestre.

Ganhos. A renda média real do trabalhador foi de R$ 2.115 no trimestre encerrado em setembro. O resultado representa alta de 2,4% em relação a igual período do ano anterior.A massa de renda real habitual paga aos ocupados somou R$ 188,1 bilhões no trimestre até setembro, alta de 3,9% ante igual período do ano anterior.

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No terceiro trimestre, o mercado de trabalho perdeu 31 mil vagas com carteira assinada em relação ao trimestre anterior, encerrado em junho. O contingente de trabalhadores sem carteira assinada no setor privado cresceu em 288 mil pessoas, e outros 402 mil indivíduos aderiram ao trabalho por conta própria.

Dos 91,3 milhões de pessoas ocupadas no trimestre encerrado em setembro, 22,9 milhões trabalhavam por conta própria, e 10,9 milhões eram empregadas no setor privado sem carteira de trabalho, um crescimento de, respectivamente, 1,8% e 2,7%, na comparação com o trimestre imediatamente anterior.

Chama atenção o fato de que, segundo a Pnad Contínua, o setor público teve aumento de 191 mil postos de trabalho em apenas um trimestre.

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