ANDRE DUSEK/ESTADAO
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Em reação a relatório de CPI, Meirelles diz que déficit da Previdência é 'inquestionável'

Relator da comissão instaurada no Senado Federal sobre a aposentadoria pública tentou incluir no texto o indiciamento de Meirelles e de Eliseu Padilha; ministro da Fazenda chama tentativa de 'equívoco'

Idiana Tomazelli, O Estado de S.Paulo

27 Outubro 2017 | 18h56

VITÓRIA – O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, disse nesta sexta-feira, 27, que o déficit da Previdência é "inquestionável", em reação ao relatório da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Previdência instaurada no Senado Federal, que apontou inexistência de rombo nas contas da área.

Como mostrou nesta sexta-feira a colunista Sonia Racy, o relator da CPI, senador Hélio José (Pros-DF), ainda tentou incluir, numa segunda versão do texto, o indiciamento de Meirelles e do ministro-chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha, por terem dado "informações falsas" sobre a Previdência.

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Ao ser perguntado sobre a tentativa de indiciamento, barrada pelo líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), Meirelles reagiu dizendo ser um "equívoco". O ministro ainda criticou "pessoas que tentam esconder" a realidade das contas.

Governador. O ministro participou de almoço nesta sexta-feira com o governador do Espírito Santo, Paulo Hartung, na residência oficial em Vila Velha, na Grande Vitória. Em entrevista a jornalistas, ele buscou destacar pontos positivos da economia, como a queda da inflação e dos juros, e fez um chamado aos empresários.

"Faço uma convocação à classe empresarial brasileira para investir no País", disse, assegurando que há já um ambiente de tranquilidade para aplicar recursos. "A taxa de juros vai atingir o nível mais baixo em 60 anos", acrescentou. A Selic, hoje em 7,5% ao ano, deve ser reduzida a 7% ao ano até o fim do ano, segundo projeção de analistas.

Meirelles destacou ainda que as vendas do varejo já estão crescendo e possivelmente o Natal de 2017 será "o melhor em muitos anos".

Rio de Janeiro. De acordo com o ministro, o governo federal já está pronto para dar as contragarantias ao empréstimo que será contratado pelo Estado do Rio de Janeiro no âmbito da recuperação fiscal. O dinheiro é necessário para que o governo fluminense consiga quitar salários atrasados de servidores.

Um decreto que ainda faltava foi publicado nesta sexta-feira pelo governo federal. Agora, segundo Meirelles, resta esperar pelo leilão que vai decidir qual ou quais bancos assinarão o contrato com o Rio para a concessão do financiamento. 

Espírito Santo. O ministro disse também que o governo federal está empenhado em ajudar na recuperação do Espírito Santo. Ao lado de Hartung, Meirelles informou ter conversado sobre a situação da mineradora Samarco, paralisada desde o desastre ocorrido em Mariana (MG), quando uma barragem se rompeu e despejou resíduos sólidos por quilômetros de distância.

A empresa até hoje não voltou a operar e depende de licença ambiental. A questão preocupa porque a Samarco responde, sozinha, por 5% do PIB capixaba, segundo estimativa do governo.

"Vamos procurar ajudar o Espírito Santo na questão da retomada da Samarco", disse Meirelles. "Agora é ajudar a trabalhar com os órgãos de licenciamento ambiental, dando auxilio técnico para que licença possa sair o quanto antes possível. É importante que se retome a atividade justamente por conta da importância da empresa na economia do Estado", explicou.

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