Antonio Lacerda|EFE
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Parente critica 'quadrilha' da antiga gestão e se diz confortável na presidência da Petrobrás

Executivo participou de uma cerimônia na sede do MPF, em Curitiba (PR), ao qual foram entregues simbolicamente R$ 653,9 milhões desviados em casos de corrupção, para os cofres da companhia

Julio Cesar Lima, Especial para O Estado

07 Dezembro 2017 | 15h35

CURITIBA -  O presidente da Petrobrás, Pedro Parente, disse que está confortável em seu cargo, mesmo em meio à crise de credibilidade pela qual passa o governo federal e o presidente Michel Temer. Em um discurso duro contra o que chamou de "quadrilha" que provocou prejuízos à estatal, Parente afirmou que trata apenas de assuntos ligados à estatal e que se sente "confortável" no cargo.

"Tenho total autonomia que nenhum outro presidente teve. O que diz respeito a Petrobrás o apoio tem sido incondicional, para fazer o que precisa ser feito e fazer certo, minhas palavras tem a ver com a indignação pessoal como brasileiro contra qualquer iniciativa que possa constranger a busca e a identificação de atos corruptos em nosso país", afirmou.

Anteriormente, o presidente havia chamado de quadrilha alguns dos antigos administradores e políticos que estiveram no comando da estatal.  "São recursos recuperados pela empresa que foi roubada pela quadrilha que lá operava", disse.

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Retorno. Parente participou de uma cerimônia na sede do Ministério Público Federal (MPF), em Curitiba (PR), ao qual foram entregues simbolicamente R$ 653,9 milhões desviados em casos de corrupção, para os cofres da Petrobrás. Com isso, o total de recursos devolvidos para a Petrobras desde o início da Operação Lava-Jato chega a R$ 1,4 bilhão e o valor total pode chegar a R$ 10,8 bilhões. 

Essa foi a décima devolução de recursos à Petrobrás desde maio de 2015 e o anúncio foi feito durante coletiva de imprensa realizada pela manhã na sede do MPF, em Curitiba (PR). Os recursos são originados de acordos de colaboração e de leniência com executivos das empresas Andrade & Gutierrez, Camargo Correia, Braspen e Carioca e SOG.

Parente falou sobre parcerias com as autoridades e dos investimentos em programas ambientais e de outras naturezas por conta dos recursos recuperados. O presidente ressaltou que a Petrobrás, entre todas as empresas envolvidas nos casos de corrupção, foi a única que não se beneficiou.

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"A Petrobrás não se beneficiou de nenhum novo contrato, nenhuma nova obra, não teve nenhuma vantagem,  somos a única vítima", analisou.

Para ele, a empresa está sendo passada a limpo. "A Petrobrás vem fazendo seu dever de casa, temos uma empresa totalmente diferente", disse, citando alterações realizadas no âmbito administrativo.

O coordenador da Força-Tarefa da Lava Jato, Deltan Dallagnol, disse que a Operação precisa continuar e ser fortalecida. "Essa é uma parte pequena do que está por vir se as investigações permanecerem. Os corruptos não representam a Petrobrás" , comentou.

Segundo ele, a Operação atua como em "um deserto" onde "a regra no Brasil é não recuperar recursos para os cofres públicos", avaliou.

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