Marcos de Paula/Estadão
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Produção industrial cai 0,1% em março

Indústria acumulou alta de 3,1% em 2018 e 2,9% nos últimos doze meses; mesmo com a alta acumulada no ano, a produção industrial está 15,3% abaixo do nível recorde, registrado em maio de 2011

Vinicius Neder, O Estado de S.Paulo

03 Maio 2018 | 09h07

RIO - A produção industrial caiu 0,1% em março ante fevereiro, na série com ajuste sazonal, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado veio dentro das expectativas dos analistas ouvidos pelo Projeções Broadcast, que esperavam de uma queda de 0,40% a uma alta de 1,00%, mas abaixo da mediana das projeções, de 0,50% de alta.  

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Em relação a março de 2017, a produção subiu 1,3%. Nessa comparação, sem ajuste, a variação ficou abaixo das estimativas, que variavam de elevação de 2,40% a avanço de 5,00%, com mediana de alta de 3,00%. No ano, a produção da indústria acumula alta de 3,1%. Em 12 meses, o avanço é de 2,9%. 

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Na comparação do primeiro trimestre de 2018 com o quarto trimestre de 2017, a variação da produção industrial foi nula, informou André Macedo, coordenador de Indústria do IBGE. Mesmo com a alta acumulada no ano, a produção industrial está 15,3% abaixo do nível recorde, registrado em maio de 2011. 

"Como temos dito há algum tempo, embora a economia brasileira pareça pronta para crescer, a expansão deve ocorrer em um ritmo mais gradual do que se acreditava anteriormente", afirmam os economistas Jankiel Santos e Flávio Serrano, do Haitong, em relatório com projeção do setor antes da divulgação do resultado.

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Como a atividade em geral, o ritmo de crescimento da indústria também decepcionou no início deste ano, reforça o analista Lucas Souza, da Tendências Consultoria Integrada. "Em linhas gerais, o que está acontecendo é um processo natural da economia brasileira. Por algum tempo, acreditou-se que a recuperação iria acontecer de uma vez só. Só que é mais demorada, sobretudo por causa do endividamento das famílias, mas está acontecendo de pouco a pouco."

Essa cautela de consumidores e também de empresários pode contaminar o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do primeiro trimestre, afirma o economista Helcio Takeda, da Pezco. Segundo ele, mais que o desempenho da produção industrial dos três primeiros meses do ano, o comportamento do setor de serviços pode ser determinante para o resultado do PIB. "Vai depender de como virá o volume de serviços do primeiro trimestre. Pode ser que o PIB tenha queda, já que o segmento está vindo muito fraco", avalia.

 

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