Werther Santana/Estadão
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JBS suspende operação de sete fábricas no MS

Empresa interrompeu atividades após ter R$ 620 milhões bloqueados pela Justiça; para pecuaristas, decisão vai afetar preço da arroba de boi

Mônica Scaramuzzo e Camila Turtelli, O Estado de S.Paulo

17 Outubro 2017 | 18h48

O grupo JBS, dono da Friboi, anunciou nesta terça-feira, 17, que vai paralisar, a partir da quarta-feira, 18, as atividades de suas sete unidades de carne de bovina no Estado de Mato Grosso do Sul. A companhia de Joesley e Wesley Batista, presos desde setembro, informa, em comunicado, que teve cerca de R$ 620 milhões bloqueados pela Justiça do Estado. 

A decisão colocou os pecuaristas do Estado em alerta. Francisco Maia, presidente da Frente Nacional dos Pecuaristas (Fenapec) e membro da Associação dos Criadores de Mato Grosso do Sul (Acrissul), disse que a essa suspensão vai afetar diretamente os produtores do Estado, onde a JBS responde por cerca de 60% do abate. “O reflexo vai ser sentido diretamente no preço da arroba do boi, que hoje está entre R$ 140 e R$ 145, dependendo do tipo de gado. Os outros frigoríficos não terão escala para absorver essa produção.”

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Em julho, a Assembleia Legislativa do Estado instaurou uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar a denúncia realizada pelos irmãos Joesley e Wesley Batista de pagamento de diversas “notas fiscais frias” emitidas por pessoas físicas ou jurídicas entre os anos de 2010 a 2017. Pedro Corrêa, presidente da CPI, afirmou que o grupo é réu confesso, uma vez que em delação premiada confessaram a prática para obter, em contrapartida, concessão indevida de benefícios fiscais pelo Estado.

Segundo Corrêa, a CPI pediu à Justiça o bloqueio de R$ 730 milhões. “A gente aceita negociar o desbloqueio desde que a companhia conceda garantias reais em troca dos recursos e se comprometa a manter empregos e as fábricas em operação no Estado.” Corrêa quer um acordo de leniência estadual.

A companhia tentou, sem sucesso, o desbloqueio dos recursos na Justiça. Trabalhadores e representantes dos sindicatos fizeram protestos ontem em frente à Assembleia Legislativa para reverter a decisão.

Em nota, JBS afirmou ainda que os trabalhadores vão continuar recebendo seus salários até que a companhia tenha uma definição sobre o tema. “A JBS esclarece que está empenhando seus melhores esforços para a manutenção da normalidade das suas operações e trabalha para proteger seus 15 mil colaboradores diretos e 60 mil indiretos em Mato Grosso do Sul.”

Carne fraca. Em março, os pecuaristas viram os preços do gado derreterem após a Operação Carne Fraca, que investiga pagamento de propina ao Ministério da Agricultura. Dois meses mais tarde, quando as delações dos irmãos Batista vieram à tona, pecuaristas do Mato Grosso foram afetados pela decisão do grupo de deixar de pagar o gado à vista.

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