AFP PHOTO / MAURO PIMENTEL
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'A gente já tem o que queria', diz liderança dos caminhoneiros no Rio

Governador Luiz Fernando Pezão fez um apelo aos caminhoneiros pelo fim da greve: 'estamos falando de vidas humanas, não é brincadeira'

Roberta Pennafort, O Estado de S.Paulo

27 Maio 2018 | 20h21

RIO - Os caminhoneiros que participam há uma semana da paralisação em estradas do Rio estão dispostos a se desmobilizar, disse neste domingo, 27, uma das lideranças do movimento no Estado, Francisco Silva. Ele lembrou que a categoria já conseguiu os dois compromissos que buscou com o governador Luiz Fernando Pezão (MDB): a redução do ICMS sobre o diesel, de 16% para 12%, e a mudança do recolhimento do imposto, que irá desonerar as transportadoras.

“A gente já tem o que queria, a redução do ICMS e a substituição tributária. Nossa greve deu certo, brigamos pelos nossos ideais”, afirmou Silva. Ele disse que em diferentes pontos da Rodovia Washington Luís, onde fica a Refinaria Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, há manifestantes de fora que se misturaram aos caminhoneiros. Eles teriam agendas políticas, ao contrário da categoria. “Nem caminhão eles têm. Hoje a situação é mais política do que qualquer outra coisa. Só que a gente não tem inclinação política”.

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Neste domingo, o governador Luiz Fernando Pezão (MDB) fez um apelo aos caminhoneiros pelo fim da greve. “Na quinta-feira, o movimento esteve comigo, e atendemos prontamente todas as reivindicações. A gente espera essa reciprocidade, que saiam dos piquetes, que vejam o sofrimento da população”, disse.

“É um apelo para salvar vidas, para que entrem mantimentos para escolas e hospitais. É essencial que a gente veja o lado humano. Não é só deixar passar carro de passeio. Estamos falando de vidas humanas, não é brincadeira. O clima está nervoso, mas eles têm de ter consciência do que já ganharam. Não podem viver de ganha-ganha”, reiterou.

De acordo com o governador, todas as escoltas para caminhões com combustível que foram pedidas desde a sexta-feira estão sendo atendidas, para que serviços essenciais não sejam paralisados. Pezão disse que há municípios no interior do Estado em que médicos não estão trabalhando porque não conseguem chegar a hospitais e clínicas.

As forças de segurança estão na Reduc para garantir as escoltas e a saída de combustível para entrega a órgãos de segurança, unidades de saúde e abastecimento de meios de transporte de massa. “Nosso principio básico é a negociação, para que o pessoal não nos obrigue a usar a força”, disse o interventor federal na segurança do Rio, general Walter Braga Netto, ao lado de Pezão.

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“A população não pode sofrer por causa de interesses de outros grupos”, sublinhou. “Estamos com problemas de hemodiálise, de bancos de sangue. As pessoas têm de ter consciência disso. Já atendemos a mais de 160 escoltas e outras vão sair de noite”.

Segundo a prefeitura da capital, nesta segunda-feira, 28, 40% dos ônibus cariocas vão funcionar. As escolas municipais, sem merenda, ficarão fechadas. Dos 360 ônibus articulados do BRT, só 5% vai funcionar da zero hora às 4 horas; o resto do dia ainda está sendo planejado. As barcas estarão com funcionamento reduzido.

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