Pexels/Pixabay
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Aumento de 10% nos preços de remédios é previsto por instituições financeiras para abril

Cálculo leva em conta a inflação e outros fatores; alta deve acontecer já no primeiro dia do mês

Redação, O Estado de S.Paulo

14 de março de 2022 | 17h19
Atualizado 14 de março de 2022 | 19h19

As instituições financeiras estão prevendo um reajuste de mais de 10% nos remédios a partir de 1º de abril. Mais de 10 mil medicamentos são regulamentados e reajustados uma vez ao ano nesse período. Quem define os valores é o Comitê Técnico-Executivo da Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED), que é o órgão interministerial responsável pela regulação do mercado de medicamentos, e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) exerce o papel de secretária-executiva.

A CMED disponibiliza uma lista com o preço máximo de cada medicamento. Para consultá-la, clique aqui.

O cálculo para reajuste tem como base uma fórmula específica, que leva em consideração:

  • a inflação medida pelo IPCA,
  • a produtividade do setor (fator X),
  • energia,
  • câmbio,
  • fator de ajuste de preços relativos entre setores (Y); e
  • fator de ajuste de preços relativos intrassetor (Z)

As previsões ainda podem ser ajustadas, já que o mercado financeiro espera a definição sobre os valores de preços relativos entre setores (Y). A produtividade do setor farmacêutico (X) e os preços intrassetor (Z) foram zeradas neste ano.

“Se o fator Y vier zerado, nossa projeção para um reajuste fica em 10,5% a partir de abril. Como os outros fatores vieram zerados, é a inflação que vai ter mais peso no reajuste dos medicamentos. E a inflação consolidada em fevereiro ficou em 10,54%”, explicou o economista-chefe da Ativa Investimentos, Étore Sanchez

Em janeiro, o Citi divulgou um relatório em que também previa uma alta de cerca de 10%. “Vemos as notícias de forma positiva para o setor (farmacêutico), pois devem permitir que as empresas compensem alguns dos recentes ventos contrários de custo decorrentes de oscilações cambiais e interrupções na cadeia de suprimentos", observaram os analistas Leandro Bastos e Renan Prata na ocasião.

No ano passado, o aumento foi de até 10,08%. Em 2020, devido à pandemia, o reajuste no preço dos medicamentos foi suspenso por dois meses, passando a valer em 31 de maio. Na época, o aumento máximo foi fixado em 5,21%.

O reajuste, porém, não é igual para todos os medicamentos. Isso porque os remédios são divididos em três categorias, a depender da quantidade de genéricos no mercado e o grau de concorrência.  

  • No nível 1, no qual a participação de genéricos  é igual ou superior a 20%, o reajuste é mais alto por entender-se que há uma maior concorrência e competitividade de preços. 
  • Já no nível 2, no qual a participação de genéricos é de 15% a 20%, o reajuste é parcial. 
  • Já no nível 3, no qual a participação de genéricos é menor que 15%, o índice de reajuste é o mais baixo. 

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