Felipe Rau/Estadão
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BC decreta liquidação extrajudicial da corretora Gradual

Além de apresentar patrimônio negativo, corretora estaria envolvida em operações cambiais irregulares

Fabrício de Castro, O Estado de S.Paulo

22 Maio 2018 | 09h26

O Banco Central decretou nesta terça-feira, 22, a liquidação extrajudicial da corretora Gradual. Além de apresentar patrimônio negativo próximo de R$ 1,6 milhão, a corretora teria realizado operações cambiais irregulares da ordem de US$ 20 milhões em um ano, conforme apurou o Estadão/Broadcast.

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Desde o fim de 2016 o BC vinha acompanhando a Gradual, uma corretora com sede em São Paulo que, nos últimos anos, vinha sendo alvo de uma série de denúncias de irregularidades, inclusive no próprio Banco Central. 

Ao anunciar a liquidação, o BC informou que a decisão ocorreu em função da existência de “graves violações às normas legais e regulamentares que disciplinam a atividade da Gradual CCTVM, o comprometimento de sua situação econômico-financeira, bem como a existência de prejuízos que sujeitam a risco anormal seus credores”.

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Irregularidades. A reportagem apurou que a Gradual, além de ter patrimônio negativo, cometeu irregularidades quanto à observância das regras contra a lavagem de dinheiro. A corretora deixou de comunicar ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) movimentações atípicas.

O impacto da liquidação sobre o Sistema Financeiro Nacional (SFN), no entanto, é pequeno. De acordo com o BC, a Gradual não tem vínculos com qualquer conglomerado bancário e tem “baixa relevância” no SFN, “representando apenas 0,003% do ativo total e 0,07% dos recursos administrados de terceiros”. Ela foi responsável por 0,04% do movimento total de câmbio realizado no quarto trimestre de 2017.

O BC informou ainda que, em observância às suas competências legais, “está adotando as medidas cabíveis para apurar as responsabilidades pelos fatos que resultaram na liquidação”. “Nos termos da lei, os bens dos controladores e dos ex-administradores da instituição ficam indisponíveis”, acrescentou a autarquia.

Polícia Federal. A liquidação da Gradual pelo BC não está ligada à operação recente da Polícia Federal que atingiu a corretora, apurou o Estadão/Broadcast. Durante a Operação Encilhamento, deflagrada no início de abril, foram presos os sócios da Gradual, Fernanda de Lima e Gabriel Correa. Posteriormente, ambos foram soltos. 

A PF apura fraudes envolvendo a aplicação de recursos de Institutos de Previdência Municipais em fundos de investimento de fachada. A suspeita é de que os fundos têm debêntures (título de dívida que gera direito de crédito ao investidor) sem lastro que ultrapassam mais de R$ 1,3 bilhão.

Segundo relatório da PF, a empresa ITS, ligada à Gradual e seus diretores, emitiu debêntures sem lastro. Ela seria uma “empresa de fachada”. A Gradual sempre negou ter cometido irregularidades. Procurada, a Gradual não quis se pronunciar sobre o assunto.

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