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Compras adiadas

O consumo caiu com força e as condições do comércio varejista estão bem piores do que se esperava

Celso Ming, O Estado de S.Paulo

10 de março de 2016 | 21h00

As condições do comércio varejista estão bem piores do que se esperava.

Os números mais recentes sobre o comportamento do consumo são do IBGE. Como são de janeiro – e estamos chegando a meados de março – pode parecer que reflitam uma situação passada. No entanto, a percepção geral a partir de números parciais mais recentes – como os das vendas de veículos – mostra que, de janeiro para cá, o movimento do comércio caiu ainda mais.

Mas fiquemos com janeiro, que é o que temos de mais abrangente. O consumo caiu com força. O IBGE trabalha com dois conjuntos de dados. O primeiro é o do varejo restrito, que exclui o comércio de veículos e de materiais de construção. O segundo é o do varejo ampliado, que inclui esses dois subsetores.

Para evitar uma sopa de números, fiquemos apenas com as estatísticas do período de 12 meses terminado em janeiro. No varejo restrito, o tombo do consumo foi de 5,2%; e no varejo ampliado, de 9,3%. É uma enormidade de queda.

Como de janeiro para cá nada mudou substancialmente não é descabido trabalhar com números parecidos para o primeiro trimestre do ano.

Vamos às causas. Essa forte retração do consumo deve-se a fatores de três ordens. O primeiro deles é a queda da renda. O PIB per capita deve cair alguma coisa em torno de 10% em apenas dois anos (2015 e 2016) e essa magnitude é uma calamidade. A perda de renda está sendo causada pela inflação, que corrói salário, e pelo desemprego, que reduz as receitas das famílias, que, por sua vez, está sendo provocado pela retração dos negócios.

O segundo fator que puxa para baixo o consumo, especialmente o de bens duráveis, é a falta de confiança no futuro, que leva as pessoas e as empresas a adiar suas compras e seus projetos de investimento. Não é verdade, por exemplo, que a redução do crédito bancário esteja provocando a redução do consumo. Não falta crédito. O que falta é disposição para tomar dinheiro emprestado no banco para consumir.

Esse colapso das vendas tende a reduzir a inflação. Nas atuais condições do mercado, nem o comércio nem o fornecedor do comércio podem remarcar preços à vontade porque agora temem o encalhe de mercadorias. Por enquanto, esse efeito baixista ainda não apareceu nas estatísticas de custo de vida. Isso porque prevaleceu até agora o impacto da liberação dos reajustes de preços e tarifas que ficaram achatados ao longo de 2014, porque o governo estava em campanha eleitoral e temia o afastamento do eleitor se concedesse o reajuste à gasolina, às contas de luz e às tarifas de transporte urbano. Mas ele chegará.

Quem leu a Ata do Copom divulgada nesta quinta, o documento que deve esclarecer as razões pelas quais o Banco Central define sua política de juros, encontra lá a aposta de que a queda do consumo acabará ajudando a derrubar a inflação. O grande complicador é o enorme desequilíbrio das contas públicas; é o governo gastando muito mais do que arrecada (política fiscal). No entanto, o Banco Central ainda não sabe quando isso acontecerá de modo a poder reduzir os juros básicos, hoje nos 14,25% ao ano.

CONFIRA:

Aí está a evolução da produção agrícola nos últimos sete anos. Os números deste ano são as últimas projeções.

Acima dos 210 milhões

Também desta vez as estimativas das safras de grãos desta temporada feitas pelo IBGE e pela Conab diferem pouco uma da outra. O IBGE trabalha com uma estimativa de 211,3 milhões de toneladas (crescimento de 0,9% sobre 2015). E a Conab, com 210,3 milhões de toneladas (mais 1,3%). O grande destaque deste ano será a produção de soja que, pela primeira vez, deverá ultrapassar as 100 milhões de toneladas.

 

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