Gabriela Biló/Estadão
Gabriela Biló/Estadão

Bolsa sobe aos 122 mil pontos e bate recorde de fechamento; dólar vai a R$ 5,39

Chance de mais estímulos para a economia americana, com os democratas no controle do Congresso, animou as Bolsas nesta quinta; no câmbio, cenário fiscal brasileiro pressionou o dólar

Redação, O Estado de S.Paulo

07 de janeiro de 2021 | 09h05
Atualizado 07 de janeiro de 2021 | 19h02

A expectativa por mais estímulos nos Estados Unidos, após os democratas conquistarem também o controle do Senado, alimentou o apetite por riscos dos mercados nesta quinta-feira, 7. Aproveitando o bom humor, apesar do aumento das tensões políticas no país americano, a Bolsa de Valores de São Paulo, a B3, fechou em forte alta de 2,76%, aos 122.385,92 pontos, e bateu um novo recorde histórico de fechamento. O dólar, no entanto, foi pressionado pelo cenário fiscal brasileiro e teve alta de 1,82%, a R$ 5,3990.

A perspectiva de mais estímulos fiscais, que pode aquecer a atividade americana e, consequentemente, melhorar o cenário econômico global, apoiou a alta dos índices nesta quinta. Além disso, o mercado também precificou como positivo o reconhecimento da vitória de Joe Biden, na última quarta-feira, 6, pelo Congresso dos EUA, em um gesto que coloca um ponto final nas eleições americanas.

Com isso, as cenas de intimidação vistas na última quarta-feira, 6, no Capitólio, deram lugar a um tom mais ameno no discurso de Donald Trump, que banido das redes sociais, se comprometeu com uma transição "ordeira". Ontem, sua decisão de incentivar os apoiadores a invadir o Congresso foi vista como um ato de sedição sem precedentes. Nos bastidores, democratas tentam articular um impeachment ou mesmo acionar a 25ª emenda, que destitui do poder um presidente considerado inapto para governar.

Em resposta, as Bolsas da Europa e da Ásia fecharam em alta. O mercado acionário de Nova York também apagou o desempenho misto do dia anterior e terminou o dia com ganhos, com destaque para a alta de 2,56% do Nasdaq. Dow Jones e S&P 500 também subiram 0,69% e 1,48% cada. Os três índices americanos bateram recordes de fechamento.

No mercado brasileiro, o desempenho de hoje correspondeu ao maior avanço em porcentual desde 5 de novembro, quando o Ibovespa fechou em alta de 2,95%. Em 2021, o índice sobe 2,83%. Mais uma vez, o índice foi puxado pelo bom desempenho das ações de commodities e siderurgia, com Vale ON em alta de 7,02%, Petrobrás, de 3,09%, CSN, de 6,44% e Gerdau, de 5,54%. Os ganhos do setor bancário, com alta de 4,06% de Itaú PN, também ajudaram a sustentar a alta do índice.

"O índice atingiu a inédita faixa de 122 mil pontos e as ações do setor de commodities metálicas respondem por grande parte desse movimento, importantes na composição do Ibovespa e diretamente afetadas pelo quadro de estímulos nos EUA", aponta Rafael Ribeiro, analista da Clear Corretora

A chance da imunização também deu algum apoio para a Bolsa. No dia em que o País alcançou a marca de 200 mil mortos pelo coronavírus, o Instituto Butantan informou que a vacina Coronavac, produzida pelo próprio laboratório em parceria com a Sinovac, na China, tem eficácia de 78% contra o coronavírus, segundo informado hoje pelo Governo do Estado de São Paulo, que pretende começar a vacinação dia 25 de janeiro. "O anúncio dos cronogramas de vacinação em São Paulo, algo positivo na medida em que a imunização é fundamental para se virar esta página do coronavírus", diz o economista e sócio da VLG Investimentos, Leonardo Milane.

Câmbio

O dólar teve pregão de fortalecimento generalizado no mercado internacional, após dias de queda, quando testou as mínimas em quase 3 anos. Ante o real, foi a R$ 5,41, em meio a novo desconforto com a situação fiscal do Brasil, com pressão em Brasília para aumentar gastos sociais diante do avanço da pandemia e flexibilizar o teto. Com isso, a moeda americana encerrou a quinta no nível mais alto desde 16 de novembro (R$ 5,43). O dólar para fevereiro fechou com alta de 

Nesta semana, o noticiário fiscal não vem ajudando. O deputado federal Baleia Rossi (MDB-SP), candidato à presidência da Câmara, defende prorrogar o auxílio emergencial ou aumentar o Bolsa Família, por causa do crescimento dos casos de coronavírus.

O economista do Instituto Internacional de Finanças (IIF), Robin Brooks, comenta que os participantes do mercado estão vendo a situação fiscal do Brasil com o risco de a dívida ficar "fora de controle". O resultado é o real muito desvalorizado. O IIF estima que o preço justo da moeda brasileira é ao redor de R$ 4,50. Em 2020, o real foi uma das divisas com pior desempenho entre os emergentes. Em 2021, em quatro sessões, o dólar sobe 4% ante o real, enquanto avança 0,62% no México e cai 1% na Turquia.

Porém, de modo geral, o dia foi de alta do dólar. A divisa americana subiu 2,55% na África do Sul, 2,34% no México e operou em alta (0,35%) ante moedas de países desenvolvidos, em movimento de recuperação após as fortes quedas recentes. Além disso, operadores também ressaltam que, com mais estímulos nos EUA, a tendência é que a moeda não fique tão depreciada quanto se imaginava./ LUÍS EDUARDO LEAL, ALTAMIRO SILVA JÚNIOR E MAIARA SANTIAGO

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