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Dólar vai a R$ 5,12 e Bolsa perde os 115 mil pontos de olho nas contas públicas

Pela manhã, Ibovespa teve forte alta e chegou perto dos 116 mil pontos, enquanto a moeda americana recuou ao patamar de R$ 5,01

Simone Cavalcanti, O Estado de S.Paulo

14 de dezembro de 2020 | 09h34
Atualizado 14 de dezembro de 2020 | 19h02

O clima de cautela tomou conta dos ativos locais nesta segunda-feira, 14, com o dólar fechando com alta de 1,52%, a R$ 5,1228, após cair a R$ 5,01 na manhã. Já a Bolsa de Valores de São Paulo, a B3, recuou 0,45%, aos 114.611,12 pontos, apesar de também ter tido um desempenho positivo pela manhã. No cenário local, serviram como fatores negativos as preocupações com o encaminhamento da questão fiscal brasileira, com incertezas sobre o controle dos gastos em 2021.

O mercado começou a precificar no fim da manhã dificuldades para a votação da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2021 nesta semana, com manifestação da oposição, de que não deve aceitar votar a lei antes de se apreciar os vetos presidenciais remanescentes na pauta. A votação da LDO é importante, pois irá garantir que o governo comece janeiro com autorização mínima para executar despesas essenciais.

Também nesta segunda, o senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE) protocolou um projeto para prorrogar o pagamento do auxílio até 31 de março de 2021. No entanto, no meio da tarde, o deputado federal Ricardo Barros (PP-PR), líder do governo na Câmara, descartou a renovação da ajuda porque, "em princípio", o governo não vai prorrogar o "orçamento de guerra", que suspendeu a aplicação de regras fiscais.

Porém, o clima de desconfiança permaneceu nas mesas de câmbio e, enquanto no exterior, o dólar ganhou força ante emergentes. Os analistas da consultoria inglesa TS Lombard, Elizabeth Johnson e Wilson Ferrarezi, alertam que o atraso da aprovação do Orçamento vai contribuir para manter a incerteza fiscal alta e os prêmios de risco elevados. O cenário-base da TS Lombard é que o auxílio emergencial não será prorrogado para 2021. Ao mesmo tempo, os dois analistas alertam que uma segunda onda mais forte de coronavírus no Brasil aumenta as chances de isso ocorrer.

Enquanto o noticiário fiscal esquentava, a diretora gerente da S&P Global, Lisa Schineller, alertou que a relação entra a dívida bruta e o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil, uma medida de solvência de um país, está em nível "extremamente fraco", superando os 90%. Nesse ambiente, aumenta a preocupação com a rolagem da dívida doméstica, uma fator a ser monitorado em 2021, juntamente com o compromisso do governo em fazer o ajuste fiscal.

A piora do dólar hoje no Brasil ocorreu descolada do risco-país, medido pelo Credit Default Swap (CDS) de cinco anos. As taxas do CDS chegaram a cair a 150 pontos no começo da tarde, terminando o dia em 151, embaladas pelo bom humor no mercado internacional e busca por risco, com bolsas em alta na Europa e Estados Unidos, que beneficiou os papéis de emergentes. Na sexta-feira, o CDS do Brasil fechou em 154 pontos, de acordo com cotações da IHS Markit.

O Banco Central fez novo leilão hoje de swap cambial, equivalente a venda de dólares no mercado futuro, de US$ 800 milhões. Nesta segunda, o real acabou sendo destaque de piora hoje ante o dólar no mercado financeiro internacional, junto com o rublo, da Rússia. A moeda foi de R$ 5,01 para R$ 5,13, na máxima do dia. O dólar para janeiro fechou com alta de 1,06%, a R$ 5,1195.

Bolsa

Bem perto de zerar as perdas acumuladas no ano, a Bolsa voltou a andar para trás com os investidores de olho nos problemas fiscais do País, mas, ao mesmo tempo, um fluxo de recursos não-residentes que manteve as ordens de compras ativas. Assim, o Ibovespa mostrou um movimento lateralizado na etapa vespertina dos negócios, ora no positivo, ora no negativo, mas sempre perto da estabilidade.

Após ultrapassar os 115,7 mil pontos pela manhã, o índice perdeu a força no começo da tarde e perdeu até mesmo o patamar dos 115 mil pontos. Entre as altas, o chama a atenção a alta dos papéis do Banco do Brasil (um dos mais descontados entre os de primeira linha), que encerraram com ganhos de 0,29%. Por outro lado, impactada pelo recuo na cotação do minério de ferro, Vale ON recuou 1,54%.

Para Marco Tulli, superintendente de mesas de Operações da Necton, além das questões fiscais as questões políticas, como também a briga política entre o governador de São Paulo, João Doria, e o presidente Jair Bolsonaro, no contexto que envolve os assuntos do coronavírus, também são negativas.

Hoje, a Bolsa também não pode contar com muita ajuda externa, apesar de um início de pregão positivo com ânimo sobre o início da imunização dos americanos. No exterior, as incertezas com relação à pandemia não saíram do radar, com isso, Dow Jones caiu 0,62% e o S&P 500 teve baixa de 0,44%, enquanto o Nasdaq teve ganho de 0,50% em Nova York./ ALTAMIRO SILVA JÚNIOR, SIMONE CAVALCANTI E MAIARA SANTIAGO

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