Paulo Whitaker/Reuters
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Covid-19 não pode ser cortina de fumaça para resolver problemas do setor energético, diz Omega

A principal proposta em negociação pelo governo prevê um empréstimo bilionário para ajudar as distribuidoras, cuja amortização seria repassada para as tarifas

Anne Warth, O Estado de S.Paulo

27 de abril de 2020 | 17h02

BRASÍLIA - A pandemia do novo coronavírus não pode ser usada como cortina de fumaça para resolver problemas de empresas do setor elétrico, avalia o CEO da Omega Energia, Antonio Bastos Filho. À frente de uma empresa que se dedica a projetos renováveis que somam 1,2 GW de potência, o executivo avalia que qualquer solução para o segmento deve preservar os contratos e o marco regulatório.

A principal proposta em negociação pelo governo prevê um empréstimo bilionário para ajudar as distribuidoras, cuja amortização seria repassada para as tarifas. Enquanto alguns agentes preveem um tarifaço, o Ministério de Minas e Energia (MME) afirma que a iniciativa visa aliviar a conta de luz neste ano. 

“O impacto tarifário não pode ser usado como cortina de fumaça para resolver problemas que não são estruturais, mas das próprias empresas”, afirmou Bastos Filho, em entrevista ao Estadão/Broadcast. “Tem muita gente querendo resolver problemas das empresas com oportunismo, jogando querosene na fogueira.” 

Nas contas da empresa, o impacto da covid-19 nas tarifas seria da ordem 1% a 1,5%. Isso porque há efeitos que aumentam a conta, como a queda da demanda, mas outros que reduzem as tarifas, como o menor uso de termelétricas, que geram energia mais cara. “Estamos falando dos valores referentes à sobra de energia que vem da queda da demanda devido ao coronavírus. Se analisarmos, isso não é muito mais do que um verão seco”, afirmou. 

Para Bastos Filho, o aumento do dólar, que eleva as tarifas de Itaipu, não deve ser levado em conta na proposta de solução. “O patamar do real frente ao dólar é uma questão macroeconômica, que não tem a ver com o setor elétrico”, disse. 

O CEO da Omega critica distribuidoras que notificaram geradores sobre a possibilidade de reduzir contratos citando a pandemia como razão de força maior. “A melhor forma de resolver não é mandar uma carta aberta e genérica dizendo que pode tudo. Soluções se constroem com diálogo e ideias”, afirmou. Ainda segundo ele, caberia apenas à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) declarar se um evento é ou não considerado um fator de força maior. 

Bastos Filho avalia que o governo está "sereno" e ouvindo todos os setores para tomar uma decisão sobre a solução para a crise. Ele elogiou ainda a postura da Aneel, que propôs liberar o saldo de recursos de fundos setoriais para aliviar o fluxo de caixa das empresas. “Achamos que a solução não é uma só, mas várias. Otimizar o uso de fundos e uma linha de financiamento podem fazer sentido. Mas não tem uma bala de prata. O importante é não deixar que os fundamentos do setor elétrico sejam atingidos.” 

Mesmo com a crise, Bastos Filho mantém otimismo. Ele avalia que a queda no consumo de energia deve se estabilizar em cerca de 5%. No médio prazo, ele avalia que a desvalorização da moeda deve contribuir para atrair investimentos para a indústria nos próximos dois anos. Ele considera, porém, que só haverá demanda para novos leilões de energia no fim de 2021.

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