Ed Ferreira/Estadão
Ed Ferreira/Estadão

Dilma diz que fala de Levy sobre desoneração da folha foi 'infeliz'

Segundo o ministro da Fazenda, a 'brincadeira' da desoneração custa R$ 25 bilhões por ano para os cofres públicos

Rafael Moraes Moura, Enviado especial

28 de fevereiro de 2015 | 13h29

Atualizado às 14h30.

TARARIRAS, URUGUAI - Um dia depois de o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, dizer que a desoneração da folha de pagamento foi "grosseira", a presidente Dilma Rousseff disse neste sábado que Levy foi "infeliz" na declaração e que a desoneração da folha é "importantíssima e continua sendo".


Levy anunciou nessa sexta um pacote de aumento de impostos e redução de benefícios a empresas. Ontem o ministro fez críticas ao programa de desoneração. "A troca entre a folha e o faturamento não era muito vantajosa", disse. Segundo ele, a "brincadeira" custou R$ 25 bilhões aos cofres públicos.



"Se não fosse importante, já teríamos eliminado e simplesmente abandonado. Acho que o ministro foi infeliz no uso do adjetivo", comentou Dilma a jornalistas, pouco antes de participar da inauguração do Parque Eólico Artilleros, em Tarariras, no Uruguai.


"O ministro e todos os setores estão comprometidos com a melhoria das condições fiscais do País. A desoneração da folha de pagamento é uma realidade e nós garantimos que haja um reajuste nas condições", declarou Dilma, há pouco. De acordo com a presidente, a desoneração da folha não é "simplesmente um instrumento de ajuste fiscal". "É um instrumento que vai permanecer. Agora, em certas conjunturas, temos de reajustá-los, ou para cima, ou para baixo", apontou.


Questionada pelo Broadcast se o ajuste fiscal seria um reconhecimento do erros de gestão do primeiro mandato, Dilma respondeu: "Meu querido, quando a realidade muda, a gente muda". Citou o exemplo da tarifa da energia elétrica, que vai subir em média, 23%, a partir da próxima segunda-feira. "A tarifa da energia decorre da chuva. Quando aumenta a chuva, diminui a tarifa, porque entra a energia hidrelétrica. Quando diminui a chuva, diminui a hidrelétrica e aí tem de contratar a térmica, e térmica é mais cara", disse a presidente.


Crise. Na avaliação da presidente, o Brasil vai sair da crise "mais forte". "O Brasil tem fundamentos sólidos. Passamos dificuldades conjunturais e isso garantirá que o Brasil saia em outro patamar, podendo continuar a crescer, garantindo empregos que nós criamos e garantindo renda que nós conquistamos". 

Barbosa e o salário mínimo. Esta não é a primeira vez que Dilma se irrita com a declaração de um membro da equipe econômica. No início do ano, a presidente fez o ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, recuar da declaração de que o governo iria propor outra regra de reajuste do salário mínimo. A presidente chegou a interromper a folga na Bahia após a posse para o segundo mandato e pediu, por telefone, que Barbosa corrigisse a informação. 

Após a bronca, o ministro mandou sua assessoria divulgar uma nota afirmando que "a proposta de valorização do salário mínimo, a partir de 2016, seguirá a regra de reajuste atualmente vigente", que calcula o valor por uma fórmula que corresponde à inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) do ano anterior somada ao crescimento do Produto Interno Bruto (PIB)de dois anos atrás.

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