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Dólar fecha em R$ 4,205, com alta de 0,29% e na máxima desde o Plano Real

Segundo operadores, a alta ocorre na esteira de um aumento sazonal da procura pela moeda americana e na ausência de notícias com força suficiente para puxar o dólar para baixo

Denise Abarca e Barbara Nascimento, O Estado de S.Paulo

18 de novembro de 2019 | 17h21
Atualizado 18 de novembro de 2019 | 18h49

Após ter começado o dia em queda, o dólar gradualmente escalou sobre o real até fechar esta segunda-feira no maior valor nominal (sem contar a inflação) da história do Plano Real, em R$ 4,2055, uma alta de 0,29%. A alta ocorre na esteira de uma procura sazonal por dólares no fim do ano, o que pressiona o câmbio. Além disso, com as tensões na América Latina e sem um noticiário doméstico que ajudasse o real, a moeda americana acabou avançando ao patamar histórico. A sessão desta segunda-feira, 18, foi negativa para divisas emergentes conforme pesaram dúvidas sobre a situação comercial entre Estados Unidos e China.

No Brasil, a força do dólar seguiu amparada pela falta de expectativa de considerável ingresso de capital no curto prazo, depois da frustração com a participação estrangeira no leilão do excedente da cessão onerosa, no começo de novembro. Além disso, há baixa disposição no mercado de tomar qualquer risco em uma semana encurtada, em razão do feriado da Consciência Negra, na quarta-feira. Com isso, a cotação deixou para trás o recorde anterior nominal para um fechamento —de 4,1957 reais na venda, do dia 13 de setembro de 2018.

Sazonalidade

Geralmente, o espaço para queda do dólar ante o real no fim do ano já é sazonalmente limitado. Isso porque há um aumento da procura pela moeda americana internamente, por parte de empresas e fundos que enviam remessas ao exterior. Segundo operadores, os investidores testam o Banco Central para atuar aumentando a liquidez do mercado. A atuação do BC nessa época não é atípica.

No pico do dia, a moeda chegou a tocar os R$ 4,2090, mais de R$ 0,03 acima da mínima, atingida pela manhã, R$ 4,1702.

Ibovespa

Após ter operado em terreno positivo, chegando a 107.519,18 pontos na máxima da sessão, o Ibovespa fechou em baixa moderada, de 0,27%, a 106.269,25 pontos, tocando a marca de 106.282,48 na mínima, em dia de exercício de opções sobre ações. O volume financeiro ficou em torno de R$ 26,9 bilhões - considerando o vencimento que movimentou R$ 8,9 bilhões.

Pela manhã, predominou o ajuste positivo ao desempenho das ADRs de empresas brasileiras em Nova York na sexta-feira, quando não houve negócios por aqui, no feriado da Proclamação da República. O avanço foi revertido à tarde, em dia no qual Wall Street permaneceu bem perto da estabilidade, ante a falta de avanço nas negociações comerciais entre EUA e China.

"De ontem para hoje, nova injeção de liquidez pelo BC da China, em meio a um prolongado ciclo de afrouxamento monetário por lá, chama atenção para o desempenho da segunda maior economia, já em desaceleração pela falta de solução para a disputa comercial com os EUA", diz Renato Chaim, gestor na Arazul Capital.

Segundo ele, os fatores externos predominaram sobre os domésticos nesta abertura de semana na B3, com os investidores locais aguardando a atualização dos dados sobre a situação fiscal. "Com feriado no meio da semana, é natural que haja cautela, interferindo inclusive nos volumes", acrescenta.

No cenário doméstico, ele chama atenção para a pesquisa que apontou elevado grau de rejeição, em torno de 50%, ao partido (PSL) pelo qual o presidente Jair Bolsonaro foi eleito e ao qual, recentemente, manifestou dissidência, em direção a uma nova agremiação, a Aliança pelo Brasil - movimento que tende a fragmentar ainda mais a base de sustentação do governo. "Tal desgaste político não favorece a progressão das reformas, o que é ruim para o investidor", diz Chaim. /COM REUTERS

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