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JF Diorio/Estadão
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Dólar fica abaixo de R$ 5 pela 1ª vez em um ano, mas fecha em alta após decisão do Fed

Moeda americana bateu em R$ 4,99, mas encerrou com ganho de 0,3%, após banco central dos Estados Unidos manter sua política monetária inalterada; Bolsa cai 0,6%

Redação, O Estado de S.Paulo

16 de junho de 2021 | 12h58
Atualizado 16 de junho de 2021 | 18h13

Pela primeira vez desde 10 de junho do ano passado, o dólar ficou abaixo de R$ 5 nesta quarta-feira, 16. Na mínima do dia, a moeda americana à vista caiu 0,90%, para R$ 4,9976. No entanto, o resultado durou por pouco tempo e, na esteira da decisão do Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos), que manteve sua política monetária inalterada, o dólar voltou a subir e fechou cotado a R$ 5,0600, em alta de 0,34%. Diante desse cenário, a Bolsa brasileira (B3) cedeu 0,64%, aos 129.259,49 pontos.

No mercado doméstico, após cair a R$ 4,99 mais cedo, o dólar encostou nos R$ 5,09 após o Fed e as atenções agora se voltam para o final da reunião do Banco Central do Brasil. Assim, o dólar fechou no meio do caminho entre a mínima e a máxima, com a moeda para julho em alta de 0,20%, a R$ 5,0600. O volume de negócios hoje foi um dos mais altos dos últimos dias, superando os US$ 17 bilhões. Ontem e anteontem, por exemplo, ficou em US$ 10 bilhões.

Na expectativa pela manutenção de juros pelo Fed, enquanto o BC brasileiro deve elevar as taxas hoje para 4,5% e sinalizar novas altas, o dólar furou mais cedo a linha dos R$ 5,00. Desde o pregão de 10 de junho de 2020 que isso não acontecia. Operadores relataram entrada de fluxo externo e desmonte de posições contra o real. Dados do BC divulgados hoje mostram que este mês, até o dia 11, o fluxo cambial está positivo em US$ 1,5 bilhão.

 


Como esperado, o Fed manteve os juros e o ritmo das compras mensais de ativos, sem novidades no comunicado. Mas foi no boletim das previsões que apareceram as mudanças. Inflação mais alta pela frente e dirigentes passando a prever ao menos duas altas de juros em 2023. Na entrevista à imprensa, o presidente do Fed, Jerome Powell reafirmou sua visão de que a inflação mais alta é "transitória", mas reconheceu que os índices de preços subiram "notavelmente" nas últimas semanas, com risco de se tornar mais altos e "mais persistentes" do que o esperado.

"Daremos sinalização antecipada antes de qualquer ajuste em nossa política", disse o presidente do Fed. "Se virmos sinais de inflação ou expectativa acima da meta, estamos prontos a agir", afirmou também.

O economista do banco Wells Fargo, Jay Bryson, observa em nota que o comunicado em si do Fed não trouxe novidades, sem alteração na política monetária. A maior mudança foi no gráfico de pontos, que reúne as previsões dos dirigentes para a taxa de juros. Muitos deles anteciparam o momento de elevação dos juros: sete dirigentes esperam a primeira elevação já em 2022, enquanto 13 veem alta em 2023. Em março, quando o último gráfico de pontos foi divulgado, só quatro projetavam juro maior no ano que vem e em 2023 eram sete, ressalta Bryson. Para ele, é crescente a chance de os juros voltarem a subir em 2023, o que fortalece o dólar.

A mudança das projeções de juros ajudou a "azedar o mercado", ressalta o estrategista-chefe da Avenue Securities, William Castro Alves. Ele destaca ainda que as projeções de inflação subiram, mas que as do Produto Interno Bruto (PIB) também foram aumentadas. "Houve uma mudança na postura dos dirigentes do Fed sobre os juros."

Para Davi Lelis, sócio da Valor Investimentos, "o cenário inflacionário está mais estressado nos Estados Unidos, em relação ao histórico, o que reforça a posição dos que defendem aumento de juros pelo Fed antes do previsto, o que deve se refletir também na redução de estímulos para a economia americana".

Passado o Fed, a dúvida agora é se o Copom vai sinalizar novos aumentos de juros pela frente e se o termo "parcial", para se referir ao ajuste nas taxas, será retirado do comunicado. A analista de moedas do Commerzbank, Melanie Fischinger, avalia que se o termo for retirado, será positivo para o real, que deve ganhar força ante o dólar, pois a visão será de que o ciclo de altas será "completo", podendo levar a Selic a subir mais, acima do nível considerado neutro. 

Bolsa

O Ibovespa mergulhou no meio da tarde às mínimas do dia enquanto emergia, do comunicado sobre a decisão de política monetária do Fed, a indicação de que os juros de referência nos Estados Unidos estão a caminho de serem ajustados para cima, antes do que o mercado vinha precificando - o que se refletiu nos juros dos títulos do Tesouro americano, que foram às máximas da sessão -, derrubando o mercado de Nova York.

Para Rodrigo Franchini, sócio da Monte Bravo Investimentos, é natural a decisão de ajuste nas carteiras em dia de aguardada sinalização do Fed, o que contribui para volatilidade nos ativos, mas o viés se mantém positivo para a Bolsa, mesmo com a perspectiva de Selic entre 6% e 6,5% no fechamento do ano.

Na Bolsa, as perdas nesta terça-feira de tensão pós-Fed e pré-Copom foram lideradas por Gerdau PN, em queda de 5,10%, CSN, de 4,72% e Embraer, de 4,40%. Na face positiva do Ibovespa, destaque para Banco Inter, em alta de 5,49%, à frente de Sul América, que subiu 3,26% e de Itaú PN, com ganho de 1,99%, em dia positivo para as ações do setor financeiro.

Vale ON fechou em baixa de 3,00%, refletindo como a siderurgia preocupações sobre a China, enquanto Petrobrás PN e ON fecharam, respectivamente, em alta de 0,38% e 0,34%, seguindo a valorização do petróleo no exterior. /ALTAMIRO SILVA JÚNIOR, LUÍS EDUARDO LEAL E MAIARA SANTIAGO

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