Brendan McDermid/Reuters
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Fitch reafirma rating do Brasil em BB, com perspectiva negativa

A agência de classificação de risco afirmou que a posição do Brasil é limitada 'pelos episódios repetidos de instabilidade política'; Moody's considera cedo para avaliar desdobramentos

Sergio Caldas e Victor Rezende, O Estado de S.Paulo

19 de maio de 2017 | 11h56

SÃO PAULO - A Fitch reafirmou nesta sexta-feira, 19, os ratings de longo prazo do Brasil em BB, em moedas estrangeira e local. A perspectiva dos ratings é negativa. O teto do país também foi mantido, em BB+, assim como os ratings de curto prazo em moedas estrangeira e local, em B.

Segundo a Fitch, o rating do Brasil é "limitado pela fraqueza estrutural de suas finanças públicas e pelos episódios repetidos de instabilidade política", que têm consequências negativas para a economia. A agência de classificação de risco ainda afirmou que a perspectiva negativa reflete as incertezas sobre a recuperação econômica do País, que ainda pode ser rebaixado se não houver freio da dívida pública. 

Moody's. A agência também considerou alegações envolvendo o presidente Michel Temer e o dono da JBS, Joesley Batista, prejudicam a perspectiva de crédito do Brasil, "ameaçando paralisar ou reverter o positivo momento político e econômico observado recentemente".

"Embora não estejam claras quais as implicações para o presidente Temer, as consequências políticas das alegações provavelmente comprometerão o ímpeto da reforma - algo negativo para o perfil de crédito soberano", na avaliação da Moody's. Em relatório divulgado nesta sexta-feira, a agência comenta que, caso o escândalo político e a incerteza permaneçam, eles podem estimular a volatilidade do mercado financeiro e prejudicar o crescimento brasileiro.

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A Moody's diz, ainda, que as reformas projetadas pelo governo Temer são "críticas para a melhora da força fiscal do país", mas ressalta que, provavelmente, elas serão interrompidas. "Além disso, a turbulência política e suas implicações vão pesar sobre a confiança dos investidores, revertendo a recuperação econômica nascente", comenta.

Em seu relatório, a agência afirma que as condições macroeconômicas e financeiras - taxa de câmbio, preços das ações, inflação e expectativas de inflação - melhoraram significativamente desde que Temer assumiu o cargo no ano passado e começou a demonstrar sua capacidade de promover reformas difíceis. No entanto, de acordo com a Moody's, "o escândalo político poderia reiniciar a onda de notícias negativas entre a incerteza política e econômica, revertendo a evolução positiva dos últimos meses e prejudicando as perspectivas de crescimento".

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Para a agência, "ainda é muito cedo" para avaliar os desdobramentos das recentes revelações. "No entanto, nossa visão sobre o que pode ameaçar a perspectiva estável do rating Ba2 do Brasil continua sendo aquela refletida em nossa avaliação feita em março: um ressurgimento da desarticulação política e, ainda, a interrupção do momento favorável às reformas que ameace sua implementação e o cumprimento do teto dos gastos públicos", comentou.

Na quinta-feira, 18, o JP Morgan cortou a recomendação para as ações brasileiras para neutra, dizendo que as reformas no País podem estar em risco. 

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