Alex Silva/Estadão - 7/4/2017
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bolsa

E-Investidor: Itaúsa, Petrobras e Via Varejo são as ações queridinhas do brasileiro

Petz, construída do zero após falência do dono, estreia na Bolsa com alta de 22%

Fundada em 2002, ainda como Pet Center Marginal, a varejista cresceu aos poucos, atraiu o fundo americano Warburg Pincus e abriu capital com pompa: arrecadou R$ 3 bi, o maior IPO do ano até agora

Paula Dias, O Estado de S.Paulo

11 de setembro de 2020 | 08h35
Atualizado 11 de setembro de 2020 | 23h55

A semana foi de sucesso para a varejista de produtos para animais de estimação Petz. A empresa, que estava há tempos na fila de abertura de capital, chegou à Bolsa brasileira com estilo. Depois de conseguir garantir uma oferta inicial de R$ 3 bilhões, a companhia contou com a boa vontade do investidor em seu primeiro dia. A ação subiu nada menos do que 21,82%, fechando o pregão a R$ 16,75.

A operação a coroação da trajetória do empresário Sergio Zimerman, de 54 anos. Empreendedor serial, ele abriu a primeira unidade da Petz (então, ainda chamada Pet Center Marginal) em 2002, na capital paulista. Antes do negócio que viria a tomar proporção bilionária, o caminho de Zimerman foi árduo – e inclui até uma falência. 

O empresário nasceu e cresceu no bairro do Brás, onde seu pai era dono uma confecção de roupas infantis. Chegou a planejar carreira na engenharia civil, mas não passou do curso secundário de edificações na Escola Técnica Federal. Aos 18 anos, estava desanimado por não conseguir emprego. Foi quando teve seu fusca roubado e resolveu investir o dinheiro do seguro em uma empresa de animação de festas infantis – que se resumia a ele e a namorada.

Dali em diante, Zimerman saltou de um negócio para outro, sempre maior e mais complexo. Abriu adegas na vizinhança, que evoluíram para uma pequena rede de supermercados, a Super do Brás. O passo seguinte foi abrir uma empresa atacadista de alimentos, bebidas e artigos de perfumaria, em 1991. Logo, viu o projeto crescer.

A expansão acelerada do negócio, o alto nível de endividamento e principalmente a inexperiência na gestão levaram à falência da empresa de 600 funcionários dez anos depois. 

Lugar certo

O ano era 2001. Disposto a não desistir, mapeou as razões do fracasso. Cursou administração de empresas e fez cursos de gestão. E logo passou a se dedicar à pesquisa para a nova empreitada. Tinha o local – um galpão de 3 mil m² na Marginal do Tietê, na região do Pari –, mas não o negócio. 

Pensou em abrir uma loja de cosméticos, mas o local não tinha movimento de pedestres e uma loja de brinquedos. Ao conhecer as lojas da Cobasi, de produtos para animais de estimação, não teve dúvidas: seu novo empreendimento seria naquele mesmo ramo.

Escaldado pela falência, procurou a Cobasi na tentativa de se tornar um franqueado, mas foi barrado pela informação de que a empresa não operava com o sistema de franquias. A solução foi abrir sua própria loja, em 2002, tornando-se o principal concorrente de sua fonte de inspiração. O nome escolhido, Pet Center Marginal, denunciava que Zimerman não imaginava aonde chegaria. A ideia, inicialmente, era apenas sobreviver.

Em 2013, porém, ele já tinha 27 lojas e a um faturamento de R$ 200 milhões. De novo, sentiu as dores do crescimento. Para não correr o risco de quebrar mais uma vez, fechou negócio com o fundo americano Warburg Pincus e vendeu o controle da empresa. 

O crescimento se acelerou e a mudança de nome foi inevitável. Hoje, a Petz cresce ao ritmo de 30% ao ano, o triplo da média do mercado pet brasileiro. Tem 114 lojas em 14 Estados e no Distrito Federal, uma rede de centros veterinários e mais de 4 mil funcionários. Em 2019, o faturamento alcançou R$ 1,1 bilhão.

No primeiro semestre de 2020, passou pela pandemia do novo coronavírus vendo quadruplicarem as vendas por e-commerce – a empresa só esperava chegar ao atual patamar de vendas pela web em cinco anos. 

Parte dos recursos do IPO serão utilizados para “expansão da rede e aprimoramento de tecnologia”, informa o prospecto da oferta. Mas a maior parte do dinheiro irá para o Warburg Pincus, que vira minoritário. Mesmo chegando à Bolsa, Zimerman voltará a ser o maior acionista da Petz, com 35%.

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