Wilton Junior/Estadão
Wilton Junior/Estadão

Fundos de pensão querem provisão de perdas de Brumadinho em próximo balanço da Vale

Divulgação referente ao quarto trimestre de 2018 está suspenso por ora, prioridade é a questão humanitária

Denise Luna, Daniela Amorim e Fernanda Nunes, O Estado de S.Paulo

29 de janeiro de 2019 | 16h08

Os fundos de pensão que detêm parte do controle acionário da Vale querem que a mineradora já inclua na próxima divulgação de seu balanço alguma provisão para as perdas decorrentes da tragédia provocada pelo rompimento da barragem na sua Mina Córrego do Feijão, na cidade de Brumadinho, em Minas Gerais, que ocorreu na última sexta-feira, 25, segundo fonte ouvida pelo Estadão/Broadcast.

Em entrevista coletiva à imprensa na noite desta segunda-feira, 29, o diretor Financeiro da mineradora Vale, Luciano Siani, afirmou que a divulgação do balanço financeiro referente ao quarto trimestre de 2018 está suspenso por ora. De acordo com o executivo, a prioridade no momento é a questão humanitária.

A Litel, instrumento de investimento dos fundos de pensão na mineradora, inclui a Previ (fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil, com 80,6% de participação), Petros (fundo de pensão dos funcionários da Petrobrás), Funcef (fundo de pensão dos funcionários da Caixa Econômica Federal) e Funcesp (fundo de pensão dos funcionários da Cesp).

No primeiro dia de mercado aberto após a tragédia com a barragem da Vale em Brumadinho, Minas Gerais, a mineradora perdeu R$ 71 bilhões em valor de mercado, com uma queda de 24,5% nas ações.

Na segunda-feira, 28, a Previ soltou comunicado descartando a venda de ações da Vale e afirmando que o pagamento de benefícios está garantido. "A Previ conta com recursos suficientes para fazer frente a seus compromisso de pagamento de benefícios, sem a necessidade de venda das ações da Vale", informou o fundo de pensão, em nota.

Através de sua participação na Litel, a Previ tem uma fatia de 21,33% na Vale. No último balanço de resultados divulgados pela Previ, o fundo de pensão do Banco do Brasil estimava que a sua participação na Vale correspondia a R$ 45 bilhões.

O fundo de pensão dos funcionários da Petrobrás, a Petros, também divulgou nota afirmando que, como acionista da Vale, acredita que a prioridade neste momento seja a busca e o atendimento das vítimas do rompimento da barragem. Mas, ultrapassada essa fase, a demanda será para que a "companhia realize uma rigorosa apuração dos fatos que levaram ao rompimento da barragem". A Petros se diz "consternada frente à tragédia" e defende " penalização exemplar dos responsáveis".

"A Petros reforça seu engajamento e compromisso com os critérios ambiental, social e de governança (ASG), o que mais uma vez se comprova como fundamental na busca de preservação de valor dos seus investimentos. As empresas nas quais investimos devem demonstrar para a sociedade as ações que realizam para mitigar tais riscos, bem como apresentar planos de aprimoramento para sua atuação, de forma transparente, sempre que deficiências sejam identificadas. Estamos e estaremos vigilantes", acrescentou o fundo de pensão da petroleira.

Nesta terça-feira, 29, estava prevista uma reunião ordinária da diretoria da Previ e outra do Conselho de Administração do BNDESPar.

Procurados pelo Estadão/Broadcast, Previ, Bradespar e BNDESPar não se posicionaram sobre o assunto até a divulgação desta reportagem. 

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