Sergio Moraes/Reuters
Sergio Moraes/Reuters

Governo indica nomes ligados à Economia e à Casa Civil para o conselho da Petrobras

Um dos indicados é o atual secretário-executivo da Casa Civil, Jonathas de Castro; Caio Paes de Andrade foi confirmado para o comando da estatal, junto de Gileno Barreto, chefe do Serpro, para a presidência do conselho

Denise Luna, O Estado de S.Paulo

09 de junho de 2022 | 21h13
Atualizado 09 de junho de 2022 | 22h49

RIO - O Ministério de Minas e Energia divulgou nesta quinta-feira, 9, uma lista com dez nomes indicados para o conselho de administração da Petrobras, confirmando o nome do secretário de Desburocratização do Ministério da Economia, Caio Paes de Andrade, para o lugar do presidente demissionário, José Mauro Coelho. 

A indicação dos novos membros do conselho era esperada pela liderança da Petrobras para agendar a Assembleia-Geral Extraordinária (AGE) de acionistas da empresa, que irá analisar as indicações, incluindo a troca de comando na empresa. 

O novo grupo que vai comandar a maior empresa do País tem a proximidade com a equipe econômica e da Casa Civil do governo de Jair Bolsonaro. A mudança no conselho ocorre em um momento que o presidente  pressiona a Petrobras por causa do preço dos combustíveis e da política de paridade com a cotação internacional do petróleo. Desde o início do governo, Bolsonaro já demitiu três presidentes da Petrobras. 

A lista confirmou alguns nomes que vinham sendo especulados e algumas surpresas, como a indicação do presidente do Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro), Gileno Gurjão Barreto, advogado com MBA em administração de empresas, para a presidência do conselho. O Serpro é a estatal responsável pelo desenvolvimento de sistemas e serviços digitais do governo. Caio Paes de Andrade, indicado para a presidência da Petrobras, também foi presidente do Serpro antes de assumir o atual cargo no Ministério da Economia. 

Outra surpresa foi a indicação de Ricardo Soriano de Alencar, procurador-geral da Fazenda Nacional. Alencar é Bacharel em Direito (UnB) e também membro do Conselho de Administração da Terracap. 

O ministério enviou dez nomes, e apenas quatro membros dos que haviam sido destituídos junto com a demissão de Coelho foram mantidos: Ruy Flaks Schneider e Márcio Weber, indicados pela União; e os representantes dos acionistas minoritários José João Abdala Filho e Marcelo Gasparino da Silva.

Ainda não está claro o motivo do envio pelo governo dos membros dos acionistas minoritários. Segundo um dos atuais conselheiros, que pediu anonimato, a repetição dos nomes deve ser uma obrigação legal, para  que sejam votados novamente, já que foram destituídos.

Foram confirmados os nomes do atual presidente da Companhia Energética de Brasília (CEB), o advogado Edison Garcia; da presidente do conselho de administração do Banco do Brasil, Iêda Cagni; e de Jonathas Assunção Salvador Nery de Castro, secretário-executivo da Casa Civil, que acompanhou de perto a negociação do reajuste dos combustíveis e é considerado o número dois do ministro-chefe da pasta, Ciro Nogueira. Esses tiveram seus nomes vazados nos últimos dias.

Ao todo, o conselho de administração da Petrobras tem 11 membros. Na última assembleia de acionistas, o governo perdeu uma cadeira para os acionistas minoritários e passou a ter seis assentos. Os minoritários, por sua vez, subiram de três para quatro membros. Um dos lugares é reservado para a representante dos empregados, que também se manteve no cargo, Rosângela Buzanelli.

Francisco Petros e Marcelo Mesquita, que não foram eleitos por voto múltiplo, continuam no conselho.

Caio Paes de Andrade é o único cujo nome já está sendo analisado pelos órgãos de elegibilidade da Petrobras. Os outros ainda terão que ser avaliados.

Na assembleia que terá que ser convocada para a eleição dos novos membros, o governo pode ou não aumentar seu espaço no comando da companhia, segundo outro conselheiro consultado pelo Estadão/Broadcast. Ele se disse confuso pela indicação dos dez nomes, quando eram esperados oito, mas não soube informar o motivo.

A divulgação da lista faz parte de uma etapa necessária para que o governo consiga trocar o comando da companhia. A partir de agora, toda a documentação dos indicados ao conselho será analisada pelos órgãos de elegibilidade da Petrobras, o que deve levar cerca de 20 dias. Depois disso, os nomes também precisam ser aprovados em assembleia de acionistas, que precisa de um período de 30 dias desde a publicação do edital de convocação dos acionistas. Todo o processo ainda deverá levar cerca de 60 dias, segundo fontes.

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