Nilton Fukuda/Estadão
Nilton Fukuda/Estadão

Governo atua em três frentes para conter greve de caminhoneiros

Serão aplicadas multas de R$ 10 mil por dia para caminhoneiros e R$ 100 mil por hora para patrões que insistirem nos bloqueios de estradas; Forças Armadas devem ter atuação mais efetiva para desobstruir vias

Tânia Monteiro, O Estado de S.Paulo

26 Maio 2018 | 17h12

BRASÍLIA - O governo quer sufocar o movimento de paralisação dos caminhoneiros, que entrou em seu sexto dia neste sábado, atuando em pelo menos três frentes, para tentar reverter o que aliados do presidente Michel Temer classificaram como “grave crise”, que está deixando o País refém da categoria.

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A partir de segunda-feira, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) entregará ao Ministério Público Federal relatório atualizado de todas as multas aplicadas a caminhoneiros para identificação do usuário e do proprietário dos veículos autuados. Eles serão incriminados e até presos em casos de locaute, quando uma paralisação é coordenada e incentivada por empresários do setor.

A segunda frente é a ampliação da aplicação das multas de R$ 10 mil por dia para caminhoneiros e R$ 100 mil por hora para patrões para os que insistirem na obstrução das vias. A terceira ação é a entrada mais efetiva das Forças Armadas na desobstrução de estradas e de acesso às 11 bases de distribuição, consideradas fundamentais.

Dessas bases, que incluem refinarias e portos, o governo só conseguiu liberar duas até este sábado: Duque de Caxias, no Rio, e Paulínia, em São Paulo. Nas demais, o governo ainda não havia conseguido ter acesso e são a prioridade de atuação das Forças Armadas nas próximas horas. São elas Araucária (PR), Suape (PE), Betim (MG), Canoas (RS), Manaus (AM), Brasília (DF), e São Caetano, São José dos Campos e Barueri, em São Paulo. Para todas serão deslocados militares do Exército, da Marinha ou da Aeronáutica para que viabilizem que a desobstrução das vias.

O governo sabe, no entanto, que essa operação não é simples nem rápida, porque demanda uma logística complexa por parte das Forças Armadas. O Exército, por exemplo, está buscando adequar as tropas às logísticas estabelecidas. O governo reconhece que a desobstrução das estradas e das próprias refinarias não aconteceram como se esperava, nem no ritmo, nem na intensidade. Além do processo lento, há o efeito dominó que atrapalha a melhoria da situação.

Balanço. A Polícia Rodoviária Federal (PRF) informou no início da tarde deste sábado que o número de pontos de manifestação identificados em rodovias federais aumentou de 938, registrados na sexta, para 1.140. O dado contabiliza as manifestações observadas nas estradas pela polícia, podendo ser bloqueios parciais, totais ou que interfiram de algum modo na circulação, segundo a metodologia da PRF. Até o último balanço divulgado na noite de ontem, a PRF não havia informado o número total de protestos identificados, só bloqueios ativos.

Desse total de 1.140 identificados, 544 pontos haviam sido liberados até as 11h30 deste sábado. Entretanto, o número de pontos que continuam bloqueados, ainda que parcialmente, aumentou de sexta-feira para sábado, de 519 para 596 - ou 52% do total de trechos com alguma manifestação. Segundo a PRF, esse número tem alta toda vez que há uma dispersão, pois grupos tendem a se espalhar e acabam interferindo em outros pontos. O Ministério da Defesa afirma que 132 dos pontos liberados foram desobstruídos com ajuda das Forças Armadas. 

Contágio. Outra preocupação do governo é com contágio do problema do diesel aos usuários de carro que não encontram combustível para comprar e são obrigados a enfrentar imensas filhas quando encontram um posto com combustível. O Planalto teme que isso possa levar a uma revolta da classe média. Por isso mesmo, o governo quer focar suas ações na desobstrução das vias e das refinarias para garantir a entrega do combustível.

O governo já identificou também que está perdendo a batalha da comunicação, principalmente nas mídias sociais. O vácuo de informações têm servido para fortalecer o movimento. O presidente quer que seja divulgado e se faça chegar à população tudo o que foi acordado e cedido aos caminhoneiros, inclusive os termos do acordo firmado na quinta-feira.

Os assessores presidenciais acreditam que essas frentes serão determinantes para ajudar na liberação de vias e no retorno ao trabalho pelos caminhoneiros, assim como reversão de ação por parte dos empresários. Esses empresários, em muitos casos, perderam o controle sobre esses caminhoneiros que, liderados por alguns radicais, na avaliação do governo, não querem atender ao pedido de retorno ao trabalho. Por isso, tem se visto o aumento de manifestação em alguns locais. Mas, em diversos caos, o Planalto acha que a pressão com multas e ação criminal contra empresários e pedidos de prisão começará a ter efeito prático.

Locaute. Mais cedo neste sábado, o ministro-chefe da Secretaria de Governo, Carlos Marun, disse que o governo brasileiro “tem convicção” de que o locaute foi praticado, mas não deu nomes de empresários que estão no alvo do governo. Um dos nomes que o governo tem na mira é do prefeito de Betim, Vittorio Medioli, que publicou um vídeo em sua rede social, na quinta-feira, em apoio à manifestação nacional dos caminhoneiros. Ele é um dos alvos da investigação porque além de ele ser prefeito de uma cidade, que não pode estimular o desabastecimento, é proprietário do Grupo Sada, um conglomerado de logística e infraestrutura da área dono de transportadora. O Estadão/Broadcast ainda não conseguiu localizar Medioli.

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