Paulo Whitaker/Reuters
Se entrar com pedido, Latam será 2ª aérea da América Latina em recuperação. Paulo Whitaker/Reuters

Latam avalia pedir recuperação judicial no Brasil, nos Estados Unidos e no Chile

​Com o pedido triplo, aérea tentaria acomodar eventuais diferenças de abrangência de legislações, já que é uma empresa chilena, mas com a maior parte das operações no Brasil

Cynthia Decloedt e Luciana Dyniewicz, O Estado de S.Paulo

25 de maio de 2020 | 21h30

Sofrendo com a crise decorrente da pandemia da covid-19, a Latam estuda pedir recuperação judicial no Brasil, nos Estados Unidos e no Chile, apurou o ‘Estadão/Broadcast’. O pedido triplo visaria acomodar dificuldades que tem por ser uma empresa chilena, mas com a maior parte de suas operações no Brasil. Ao acessar o Chapter 11 da lei de falências americana, a companhia aérea ainda encontraria uma saída para negociar compromissos com arrendadores de aeronaves, o que não é possível pela lei de recuperação judicial brasileira. 

Se entrar com o pedido, a Latam será a segunda companhia da América Latina nessa situação. Há duas semanas, a colombiana Avianca Holding também recorreu ao Chapter 11, o equivalente à recuperação judicial brasileira. A Avianca, no entanto, já enfrentava sérios problemas financeiros antes da pandemia.

Procurada, a Latam informou não comentar especulações. Disse ainda que, “se o grupo tivesse algo a comunicar, em particular, fatos que se exigem relatar, em primeiro lugar, às autoridades reguladoras, isso seria feito por meio de canais formais, pela responsabilidade que tem perante as autoridades, seus funcionários e o público em geral”.

A Latam é vista como uma das aéreas com maior dificuldade para atender as condições de acesso ao pacote emergencial para o setor aéreo que está sendo preparado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), na avaliação de especialistas. Isso porque não tem capital aberto no Brasil, o que dificultaria seu acesso ao modelo de auxílio que está sendo estruturado.

Em Brasília, há ainda a interpretação de que, por se tratar de uma empresa chilena, Santiago deveria ajudar no socorro da empresa. No Chile, porém, há uma dificuldade extra: o presidente Sebastián Piñera já foi acionista da companhia e é próximo à família Cueto, controladora da empresa. Uma ajuda financeira à Latam poderia, portanto, não ser bem recebida no país.

Segundo apurou a reportagem, a companhia contratou recentemente o banco PJT Partners para ajudá-la na reestruturação de sua dívida. Há 10 dias, a empresa deixou de honrar o pagamento de uma parcela de um empréstimo de US$ 1 bilhão feito em 2015 para comprar 17 aeronaves. A dívida foi estruturada nos Estados Unidos -- daí o pedido de recuperação no país. Nos últimos dias, a Latam demitiu funcionários e tentou levantar recursos parar quitar o valor devido, sem sucesso até agora.

Diante da inadimplência, as agências de classificação de risco de crédito Fitch e S&P rebaixaram a nota da empresa na última sexta-feira. Em relatório, a Fitch destacou que a Latam tem um período de carência de 15 dias para realizar o pagamento, mas que não estava claro se a companhia pretendia cumprir com a obrigação ou se iria iniciar um processo de reestruturação de dívida maior.

Já os analistas da S&P escreveram que “as preocupações com uma reestruturação da dívida ou um pedido de falência estão aumentando”.

Em março, o UBS havia afirmado, em relatório, que a Latam era a companhia aérea com atuação no mercado doméstico mais vulnerável à crise.

Segundo cálculos do banco, o caixa da empresa deveria ficar negativo já neste segundo trimestre com a redução dos voos em 70%, corte anunciado pela Latam à época. A Avianca era outra empresa em situação semelhante, escreveram os analistas do UBS.

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Governo alemão aprova ajuda de 9 bilhões de euros para Lufthansa

Os ministérios das Finanças e da Economia da Alemanha afirmaram que a companhia está operacionalmente saudável e rentável, mas está com problemas devido à pandemia

Agências Internacionais, Reuters

25 de maio de 2020 | 21h59

BERLIM - A Alemanha aprovou uma ajuda de 9 bilhões de euros (9,8 bilhões de dólares) para a Lufthansa nesta segunda-feira, 25, em acordo que dá ao governo alemão poder de veto no caso de uma oferta de aquisição hostil da companhia aérea.

O maior resgate corporativo alemão desde o começo da crise do coronavírus, permitirá que o governo tenha uma participação de 20%, que pode subir a 25% mais uma ação no caso de uma tentativa de aquisição, conforme Berlim busca proteger milhares de empregos.

A Lufthansa está negociando com o governo há semanas sobre a ajuda necessária para sobreviver a uma esperada prolongada queda nas viagens, discutindo quanto controle deve ceder em troca de apoio financeiro.

O governo central da Alemanha passou décadas se desfazendo de participações em empresas, mas continua sendo um grande acionista em antigos monopólios estatais, como Deutsche Post e Deutsche Telekom. Berlim ainda detém uma participação de 15% no Commerzbank, afetado pela crise financeira global.

Outras companhias aéreas, incluindo o grupo franco-holandês Air France-KLM, as norte-americanas American Airlines, United Airlines e Delta Air Lines e as brasileiras Gol e Azul também têm buscado auxílio estatal.

Os ministérios das Finanças e da Economia da Alemanha afirmaram nesta segunda-feira que a Lufthansa está operacionalmente saudável e rentável, com boas perspectivas, mas se viu com problemas em razão da pandemia.

Ajuda temporária

“A ajuda que estamos preparando aqui é por um período limitado”, disse o ministro das Finanças, Olaf Scholz, sobre o acordo, segundo o qual a Alemanha vai comprar novas ações pelo valor nominal de 2,56 euros cada, totalizando cerca de 300 milhões de euros.

Berlim, que criou um fundo de 100 bilhões de euros para participar de empresas atingidas pela crise do coronavírus, disse que planeja vender a participação na Lufthansa até o final de 2023.

“Quando a empresa estiver novamente em forma, o Estado venderá sua participação e, com sorte, com um pequeno lucro que nos colocará em uma posição de financiar os muitos e muitos compromissos que temos que atender agora, não apenas nesta empresa”, acrescentou Scholz.

As condições do acordo incluem a renúncia a pagamentos futuros de dividendos e limites ao pagamento para executivos disse a Lufthansa, acrescentando que o governo também ocupará dois assentos em seu conselho de administração, sendo que um se tornará membro do comitê de auditoria.

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