Amanda Perobelli/Reuters
Amanda Perobelli/Reuters

Lucro do Banco do Brasil soma R$ 3,695 bi no 4º trimestre de 2020, queda de 20,1% em um ano

Número representa um alta de 6,1% na comparação com o terceiro trimestre do ano passado; no entanto, lucro acumulado do BB encolheu 22,2% em 2020, para R$ 13,884 bilhões

André Ítalo Rocha e Aline Bronzati, O Estado de S.Paulo

11 de fevereiro de 2021 | 19h25
Atualizado 11 de fevereiro de 2021 | 22h27

O Banco do Brasil anunciou nesta quinta-feira, 11, lucro líquido ajustado de R$ 3,7 bilhões no quarto trimestre do ano passado, queda de 20,1% na comparação com o mesmo período de 2019. Em relação ao trimestre anterior, contudo, houve expansão de 6,1%. A melhora no fim do ano, porém, não foi suficiente para evitar que a instituição terminasse 2020 com queda de 22,2% no lucro acumulado, que somou R$ 13,9 bilhões.

Segundo o relatório que acompanha o balanço, a piora na comparação anual é explicada principalmente pelo aumento das provisões para créditos de liquidação duvidosa, que cresceram 47,6% no quarto trimestre ante igual período de 2019, para R$ 22,1 bilhões.

Já o crescimento verificado em comparação ao terceiro trimestre está relacionado à redução de 6,3% das provisões, à expansão de 1,5% nas receitas com prestação de serviços e ao avanço de 1,1% na margem financeira bruta (ganhos do banco com empréstimos e tesouraria).

A carteira de crédito consolidada chegou ao fim de 2020 com saldo de R$ 742 bilhões, alta de 1,5% em relação a setembro e de 9% na comparação com dezembro de 2019. 

A pandemia dificultou ainda mais a batalha do BB para fechar a distância de retorno existente perante seus pares privados. Com o reforço no colchão para perdas, a rentabilidade foi prejudicada: ficou em 12%, ante 17,3% em 2019.

Nova gestão

O último trimestre do ano passado marca o primeiro “completo” sob a gestão de André Brandão, que assumiu a presidência do BB no fim de setembro, no lugar da economista Rubem Novaes. Ele desembarcou no banco, vindo do HSBC, com o desafio de destravar uma agenda de desinvestimentos, atropelada em meio à pandemia, e preparar a instituição para a arena digital que se transformou o sistema financeiro.

Com o DNA de banco de investimento, o executivo fez a primeira “entrega” ainda no fim do ano passado. Na época, emplacou a extinção da primeira estatal do BB, a Bescval, incorporada à instituição em 2008, junto com a aquisição do Banco de Santa Catarina (Besc). Essa semana, o banco anunciou o desinvestimento da fatia que detinha na Kepler Weber, empresa de soluções para armazenagem agrícola.

O mercado aguarda um aumento da velocidade na venda de ativos ao longo de 2021. Neste semestre, o plano é listar a bandeira de cartões Elo e o BV, antigo banco Votorantim, na Bolsa, e ainda selar uma parceria internacional com a sua gestora, a BB DTVM. Outra promessa é deslanchar a sociedade com o UBS na área de banco de investimento.

No mês passado, o BB anunciou um plano de reestruturação que envolve fechar 112 agências e cortar 5 mil funcionários por meio de programas de demissão voluntária. As ações desagradaram o presidente Jair Bolsonaro, que pediu a cabeça de Brandão. O executivo conseguiu permanecer no cargo e seguir com o plano de eficiência, bem recebido pelo mercado.

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